Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Mesmo entre muros, Jardim!


Vistoso, agradável, atraente,
este jardim que contemplo da minha janela.
Tem passeios, árvores frondosas,
áleas de assentos para toda a gente…
Irresistível numa tarde abafada como aquela
em que observei a sua estrutura:
canteiros semicirculares, com flores cheirosas,
quadrilátero delimitado por prédios altos, de variada cor.
Interrogo-me se este jardim é expressão de uma cultura
que tudo encurrala entre muros de betão reforçado,
ou se ele é a resposta para um grupo social marginalizado!
Ah, como esta civilização confunde casa, cimento e amor!


De: "A aurora está a chegar", a publicar

Quinta-feira, Julho 30, 2009

Ansiedade Vs Serenidade

Pode-se ser ansioso e ao mesmo tempo sereno!
Para tal, são precisos dois motivos conciliáveis:
o primeiro, é sentir-se agitado num local ameno;
e o segundo, é estar calmo em horas eternizáveis!


Segunda-feira, Julho 13, 2009

Maria Inês Vaz – O Olhar de 88 anos bem cumpridos!

Foto de 27.Junho.1999


Muitos e muitos passos tracei pela existência,
Alguns menos felizes, outros de grande satisfação…
Realegrei-me com os meus e toda a sua descendência,
Identifiquei as grandes mágoas e alegrias do coração...
A onze de Julho de dois mil e nove entreguei a minha essência!

Intentei vencer o grande combate das limitações,
Nada me fazia vacilar, nem tão pouco temer!
Êxitos e fracassos foram sempre as minhas lições…
Sincera e leal, a vossa CHEPA seguiu em frente para vencer!


Vou agora descansar do peso das minhas labutas,
Aguardando as preces do vosso terno e filial amor!
Zarpei a minha âncora para o Além, a olhar pelas vossas lutas!

Terça-feira, Maio 05, 2009

Perspectiva da aurora



Para mim,
para ti,
para todos os que na autenticidade lutamos,
haverá perspectiva de mudança?
Para alguns, haverá, seguramente,
ainda que seja apenas externa,
perspectiva de dinheiro branqueado,
vendas de todo o género de material lavado,
enquanto para outros, muitos mais,
a perspectiva, sã e interna,
se funda na renovação da mente,
no contágio saudável da vizinhança,
que quer verdade e justiça,
a real, sem parangonas nos jornais!
Pelos indicadores da já longa noite fria,
quiseram encurralar-nos na zona zero,
moldar-nos como às rolhas de cortiça
e projectaram roubar-nos a alegria.
Mas não, nunca espoliarão a nossa riqueza interior!
Resistimos como feixe de vimes, tu queres e eu quero!
Se pudessem, retalhar-nos-iam a alma…
Todavia, à verticalidade, à modéstia e ao amor
jamais poderão afectar-lhe a estrela d’alva,
porque seus donos têm uma outra perspectiva,
diferente da dos corruptos e gananciosos…
Ao nascer e ao por do sol, cristalino,
mantemos sempre a mesma limpidez do olhar
e orgulhamo-nos, sem ser orgulhosos,
de viver e superar os desafios e lutar
como as águias da montanha…
Sim, inscreveremos a nossa façanha
num livro branco, só lido por menino!
E começaremos já, sem bolsa, sem segurança, sem nada,
porque a verdadeira perspectiva surge da madrugada!


De ChFer, in A aurora está a chegar, a publicar

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Sincronismo dessincronizado



Nove horas e trinta minutos,
uma hora fraccionada, nem nove, nem dez!
E pedem-nos para estar a uma meia-hora,
precisamente a tal hora não inteira, mas dividida…
Os homens, em momentos resolutos,
não andam com metade dos seus pés,
antes equacionam a integridade do aqui e do agora
para seguir em frente, cara ao vento e bem erguida!
Assim, de meias-horas está o tempo adiado,
como se jogássemos em roleta de meias cores.
O ritmo de vida passa de sincrónico a dessincronizado
e apenas se vive de meios termos para o sonho e os amores.
Porque não adoptar horas inteiras
para início de projectos ou outras actividades?
Será que os referenciais de execução,
para qualquer tarefa ou modelo de organização,
não conseguem ter por companheiras
a rentabilidade e a convergência entre realidades?
Quem é de meias-horas é como se fosse de meia jornada:
desconta no final ou no início da meia,
quando se impõe o tempo total!
Efectivamente, aprisiona-se o tempo com peia,
qual cavalo que não corre por ter a alma desalmada!
Tempo desbaratado? Insucesso fatal!



De FCA, in Utopias Reais, a publicar

Segunda-feira, Março 23, 2009

Notícias de...


Imagem picada daqui


Chegam-me as mais variadas notícias de enriquecimento e corrupção...

Nem sei como é possível que homens que se dizem seres pensantes,

sejam industriais, banqueiros ou políticos, para falar de quem está na berra,

pratiquem e permitam actos de enorme aviltamento dos pobres mais pobres,

fazendo que ignoram da história dos impérios os ensinamentos e a dura lição.

Na verdade, em época de crise, corruptos continuam a explorar os definhantes,

como se fossem os únicos a sobreviver depois duma ateada e sangrenta guerra,

em que fazem e desfazem, moem e remoem, o destino dos fracos mas nobres!

de "A aurora está a chegar" - a publicar.

Sábado, Janeiro 31, 2009

Verdade ou mentira?

imagem picada daqui

Estamos a assistir a um autêntico fenómeno de histeria colectiva. Os portugueses não sabem, de forma autoconsciente, em quem acreditar: se na comunicação social (TV, imprensa, blogosfera... ) ou se na posição dos políticos, com evidente protagonismo para os responsáveis máximos pelo País !

Onde está, afinal, a verdade ou a mentira? Acham que o Povo Português tem que se resignar a ser sempre um marginalizado, um escravizado, um alienado por falta de informação autêntica, séria e credível? Vamos fartos de um estado de informação nebulosa, cinzenta, morna, de semi-verdade e de semi-mentira, acalentada por aqueles que deveriam ser os últimos a sustentá-la!...

Queremos GENTE com AUTENTICIDADE, em quem possamos depositar confiança. Queremos que o País saiba onde está a verdade ou a mentira sobre os últimos escândalos económico-políticos que assolam de Norte a Sul. Porquê a indefinição?

O dia de hoje é sintomático na HISTÓRIA PORTUGUESA: 31 de Janeiro!

Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

POMBAS SEM FALCÕES

No meu país há centenas de falcões,
mas pombas, muitas, muitas, mais!
Não sei porquê, mas não tenho ilusões
de que os rapinantes, a pique, atacam os pombais.
E as pobres pombas, com medo, vão morrendo,
como se, perante o gigante, fossem anões...
Se, porém, pensarem que, por união, vão crescendo,
um dia, para breve, destronarão os comilões.
Tímidas pombas, a desnorte, na sua inocência,
a debicar os restos de quem manda e tem!
Venha o dia em que, resolutas, tomem consciência,
e não haverá medos, nem fugas, nem hesitações,
porque na vida dos outros não ordena ninguém,
e as pombas, em bando, têm mais valor que os papões!

De: ChFer, in "A aurora está a chegar" - a publicar

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

Quem acende e apaga o morrão?


Quando li as interrogantes páginas de Sándor Márai, em As velas ardem até ao fim, procurei uma apropriação e simultânea projecção duma passagem quase teleológica:

- "Cada um gera aquilo que acontece consigo. Gera-o, invoca-o, não deixa de escapar àquilo que tem de acontecer. O homem é assim. Fá-lo, mesmo que saiba e sinta logo, desde o primeiro momento, que tudo o que faz é fatal. O homem e o seu destino seguram-se um ao outro, evocam-se e criam-se mutuamente. Não é verdade que o destino entre cego na nossa vida, não. O destino entra pela porta que nós mesmos abrimos, convidando-o a passar. Não há nenhum ser humano que seja bastante forte e inteligente para desviar com palavras ou com acções o destino fatal que advém, segundo leis irrevogáveis, da sua natureza, do seu carácter".


Se admitisse tal fatalismo, pura e simplesmente, ainda que ligado à natureza e carácter pessoais, para explicação do meu percurso de vida, creio que teria ficado estatelado na infância dos 5/6 anos. Contudo, mesmo que a força do destino pareça irrevogável, outra Força mais forte, quase sempre incógnita, impera sobre o desenrolar do fenómeno vital. E é essa Força, sim, que acende e apaga o morrão das velas, mesmo que tenham ardido até ao fim...

Quinta-feira, Setembro 11, 2008

Satisfação adiada…




Entrei.
Sentei-me.
Olhei ao redor.
Nunca pensei,
(e fartei-me!),
sentir amargor.
Amargor pela desolação,
pela tristeza espelhada na cara dos passeantes…
Aqui sentado, na pastelaria da avenida central,
poucas vezes li satisfação
nos gestos, no olhar dos que são ou não amantes,
ou na sua ilusão
face ao fluir sócio-económico-político da vida real!
Satisfação? Raras ou poucas vezes a vi!
Sonhada?
Adiada?
E que pensas tu de quem olhasse para ti?
De " A Aurora está a chegar" - a publicar

Sábado, Agosto 16, 2008

Diferentes…





Quase em atitude de observação participante,
constata-se que aqui chegaram uns quatrocentos retirandos,
alguns, de perto, outros, de longínquas paragens,
desde Norte a Sul, Açores, Angola, Moçambique, Brasil…
O que procuram eles, neste Encontro, de fascinante?
Ideias novas, à semelhança dos académicos e seus formandos?
Não! Aqui não encontram enganosas miragens,
tudo é claro, transparente, sensível, real e subtil.

Desde a aurora ao adormecer,
enchem sala de conferências, visitam e revisitam capelas,
lêem e meditam sob as árvores ou deambulando pelos carreiros;
este, reflecte sobre o Absoluto do Ser,
aquele, toma notas, decidindo pautar sua vida por elas,
e a maioria, em silêncio, levanta uma prece mais alta que os outeiros!

O que têm, afinal, estes buscadores de Deus?
Nada têm e, por isso, são livres e libertadores!
Assumem-se pobres dos pobres, totalmente desenraizados…
A nada se prendem, seja à família, imagem, estatuto e predilecções, a nada!
É admirável e espantoso como deixaram tudo, até os seus!,
porque, no fundo, não puderam abafar os amores
que, há muito tempo, trazem guardados
e que lhes permitem aceitar tudo, desde a doença à morte irmanada!

O mundo, lá fora, tem tudo, desde o trivial ao fabuloso:
diversão, ricas mansões, arranha-céus, políticos, estradas e rotundas…
Aqui não há outra coisa senão a pobreza das alegrias profundas,
que transporta a alma ao infinito de um mundo misterioso!
Lá fora, têm leituras de premiados e esotéricos autores, laicos, ateus ou agnósticos,
têm canções de variados cambiantes, DVD’s, Net, Blogs, telenovelas aos centos!
Aqui, lê-se Josué, Oseias, David e outros, como Larrañaga, de similares diagnósticos,
já que da interioridade, da inteligência emotiva, da singeleza, fizeram seus assentos.

E também há humor, imaginação criativa, inovação construtiva do divino…
Para todos têm um lugar, na simplicidade de um coração aberto;
até os que fazem do mundo o seu cais,
os vulgo ditos pecadores, geração que não acaba,
são considerados os primeiros e recebidos com carícias de menino!
E assim, no final, os de fora e os de dentro seguem o caminho certo,
pois o Ser Misericordioso, sem mais,
derrama seu perfume, luz, amor,
e todos, sem excepção, justo e pecador,
podem retribuir, clamando, carinhosamente: ABBA!

Já de partida, desta terra de Canaã,
rejuvenescidos pela solipsista e desértica aragem,
ainda se perguntam os valentes retirandos,
sem esquecer a Virgem Mamã:
- Cristo Encarnado, porquê tantos desmandos
para com os deserdados da fortuna e vítimas da guerra?
Queremos sair daqui para uma infindável viagem,
que leve fermento de PAZ ao doméstico vale e à incógnita serra!

E, a sós ou em grupos, irão saindo,
modestos, humildes, diferentes, com a inocência e veracidade de uma criança,
loucos como o Louco de Nazaré,
loucura entre a Razão e a Fé,
como se tivessem reduplicado a existência!
O que aconteceu aqui, na sua radical essência?
A experiência íntima de que entre Deus e Homem está viva a prometida Aliança!



ChFer - 07.08.2008

Gostaria…



Gostaria de viver no paraíso sonhado,
aquele que nunca alguém viu…
Gostaria de atravessar a ponte da amizade,
aquela que nenhum engenheiro projectou…
Gostaria de abraçar a gente do povoado,
aquela que nenhum político ouviu…
Gostaria de dar às crianças e idosos felicidade,
aquela que jamais alguém experimentou…
Gostaria ……………………………………,
aquele(a) …………………………………..,
duas iniciais palavras de uma expressão,
que tu completarás com sensibilidade e razão!
De ChFer, A Aurora está a chegar..., a publicar.

Sábado, Agosto 02, 2008

Cães vadios




Sós, percorremos as ruas do bairro ou do lugar,
esfomeados.
Levamos connosco a visceral tensão,
que nos faz vasculhar contentores de restos e sobejos,
saltar muros,
desnorteados,
perdidos no desespero de não encontrar
a mínima côdea de bolorento pão.
Que dias escuros...
E que aviltante é sentir, mas não matar desejos!
Contudo, como nós, há humanos aos centos,
sós, perseguidores da subsistência,
de beco em beco, na miragem de uma migalha,
mas ninguém olha a sua existência,
ninguém vê os seus visíveis desalentos
e para governantes, instalados, são apenas gentalha!


fca, in Zoopoética, em elaboração

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Abúlicos fora de prazo





- Vou desistir. Já vi que não sei nada.
Para quê tentar? Para quê prosseguir?
Estudei, mas varreu-se-me o pensamento!

- É assim que se começa um exame,
já vencido à partida,
como se tudo na vida
fosse uma farsa, uma comédia pegada.
Quanto custou àquela mãe sorrir,
perante a notícia de que o seu rebento
baixou os braços, imberbe e infame,
face a uma prova que teria de vencer!
Hoje, as mães sorriem, mas não riem por dentro,
pois seus filhos, que se julgam do mundo o centro,
ao mínimo obstáculo só lhes dá para esmorecer.
Porquê este abstencionismo e desistência
nos jovens da nossa pós-modernidade?
Preparam-se? Flutuam pela existência?
Ou simplesmente perderam a vontade?
A resposta não é só deles, ainda que custe dizê-lo,
mas os adultos deverão assumir grande parte dessa abulia,
porque apenas aplanaram o caminho
ao seu néné e incomparável filhinho,
mas nunca o obrigaram a por si abri-lo e percorrê-lo.
E agora? Um mundo de dependentes, de moles e alquimia!
Só esperamos que a marcha se inverta cento e oitenta graus,
para bem de todos, dos futuros ou dos presentes,
e que surjam homens a sério como nossos dirigentes,
para tentar suprimir o abominável fosso entre bons e maus!
Jovens, se quiserdes que a sociedade se modifique,
Trabalhai com garra, suai, progredi e vencei!
Hoje, já não há alguém que queira e se identifique
Com o deixa andar, não te rales, não quero ou não sei!
fca, Do Livro - A Aurora está chegar - a publicar

Quarta-feira, Junho 18, 2008

Margem do sensível



Morre-se no Afeganistão. Mas ninguém liga. Morre-se, já está.
Morre-se no Iraque. Já não impressiona! Foram-se mais umas vidas…
Morre-se no Darfur. Que importa? Mais uns tantos, menos uns quantos…
Morre-se na estrada. Bum! Igual ao costume, tinham a hora marcada.
Morre-se à entrada e à saída da discoteca. Um marginal, já se esperava!
Que mundo é este que já não se impressiona com a morte?
O locutor televisivo apresenta a notícia mecanicamente,
o ouvinte já nem faz balanço aos números, julga-se com sorte,
os políticos remendam discursos, prometendo prevenções incumpridas,
os académicos refugiam-se em explicações metafísicas desabridas,
os cidadãos confessam-se atingidos só quando a fatalidade bate à porta.
Perdeu-se a sensibilidade? A vida é para desprezar?
Há um filho que fica sem pais,
um velhinho que perde os únicos entes protectores,
o marido que perde a mulher e a mulher que perde o marido,
crianças que ficam sem o apoio dos progenitores!
Estes dramas não chamam a atenção de qualquer um?
A sociedade não pode perder ou esquivar-se à sensibilidade,
todos temos uma quota parte de responsabilidade
pelo que sucede no planeta de lés-a-lés…
Respeitemos a dor, a tristeza, a solidão dos enlutados,
que perderam o afecto deste ou daquele ente querido,
restando-lhes a existência ao invés!
Repensemos a guerra, que a nada conduz,
estejamos com os que sobrevivem à tragédia!
Evitemos o amorfismo dos que se sentem acomodados,
pois somos todos seres enobrecidos,
quando pegamos aos ombros aquela cruz,
tantas vezes de braços retorcidos,
mas que grita e ecoa que a vida não é comédia
e que há uma margem do sensível para tantos rumos cortados!

Terça-feira, Maio 13, 2008

Não à utopia negativa

Rosa Meditativa (S. Dali)




O dia-a-dia de um país, que devia ser alegre, sadio e risonho,
começou a degenerar para a tristeza e decepção imparáveis!
Basta olhar à nossa volta e ver-se-á uma infinidade de miseráveis,
que nada têm e pedem nas esquinas das ruas um pedaço de sonho.

Segurança, emprego, apetência cultural, tudo caminha em declive
num país que podia ser modelo de progresso, juventude e paz!
À deriva anda e vai a vontade das gentes, e por elas nada se faz…
Ficamos no deixa andar, aguentar é preciso, não terei se nunca tive.

Os dias vão decorrendo entre marasmo, ludíbrio e narcose política,
o regresso ao fatalismo sombrio do donsebastianismo é visível,
a anestesia futebolística e o megaprojectismo são a dança fatídica.

Já nem imaginar se consegue a grandeza da frustração colectiva
de um povo que acalentou esperança, riqueza e anseio indizível,
e dificilmente se vislumbram forças vivas contra a utopia negativa!
De ChFer, Livro Utopias Reais, pronto a publicar.

Quinta-feira, Maio 01, 2008

À mãe de qualquer sítio e tempo...





Ando demasiado apegado ao trivial e sem sentido,
quase como se fosse a mariposa junto à fogueira,
em jogo de queimar asas, voos de brincadeira,
esquecendo realidades de sublime significado,
entre elas o valor de um ser que se chama mãe...
De tanto viver com ela, fiquei especado e contido
na soleira da minha morada de alienação e comodismo,
desarreiguei meu olhar dessa incomparável progenitora!
Andei e desandei por caminhos de dor e desdém,
quando ela me esperava, cheia de esperança e saudosismo,
espraiando seus olhos pelo crepúsculo e aurora redentora.
Mas, com tantos anseios guardados,
chamou-me pelo meu nome de menino,
sorriu para os ventos e bonança,
que me levaram a notícia da sua ansiedade,
e segredou-me, já os dois abraçados,
que se lembrava dos meus beijos de criança,
que me queria com amor divino,
que igual à sua não há outra amizade.
Vergado pelo testemunho dessa deusa incomparável,
não sei dizer outra coisa que não seja,
à luz de qualquer olhar que veja,
soletrar: MÃE, ÉS ÍMAN, ÂNCORA INABALÁVEL!

Sábado, Abril 05, 2008

Há sempre um rumo



Não dizemos que os optimismos são infindáveis,
como também não sustentamos pessimismos incontinentes…
Há vontades, ditas e reditas, manifestas e incontáveis
de crescer, subir, voar, face às dificuldades, das gentes
que sempre ambicionam o melhor dos mundos, a positiva utopia!
Não esquecemos, por outro lado, que a um vazio se sucede outro mais,
às lamentações se adicionam suspiros, lágrimas e muitos ais,
demonstrativos de que os sonhos podem acabar em pesadelos
e que os montes da tristeza ocultam os distantes picos da alegria!
Seja como for, e apesar do nevoeiro denso e do pesado fumo,
erguem-se, por fim, os raios de sol sobre nossas metas e anelos,
e fortes, mui determinados ficamos, porque há sempre um rumo!
De ChFer, Livro Utopias Reais, em preparação para publicação.

Segunda-feira, Março 17, 2008

Ao Pai, em dia de Março, 19.

















Dia do Pai.
Oxalá mais que um slogan publicitário.
Talvez o rever de um sonho,
uma casa que se deixou,
uma janela semi-aberta,
a lua feita sol,
o mourejar de uma labuta,
a mão calejada que semeou
campinas de trigo,
o herói tantas vezes vencido,
mas força da nossa luta.
Ao Pai, seja qual for o seu nome,
deixo uma lembrança,
uma evocação dos tempos de menino:
recordo-te como se estivesses aqui,
bem junto dos meus anseios,
deixaste-me a grande herança
da tua visão de verdade,

da resistência com lealdade,
da inocência de ser pequenino,
do defender a palavra de honra,
do soletrar desejos de chegar ali...

Sábado, Março 08, 2008

Será que 70.000 pessoas, ou mais, não sabem pensar?

É essencial recordar que o consenso generalizado do pensar humano, em regra, não erra, ainda que casos históricos, antes de natureza científica do que sócio-jurídica, tenham levado a posições erróneas colectivas. No caso dos PROFESSORES, porém, não encontramos a tendência para a sugestão alheia ou auto-sugestão face ao erro, pois constituem uma profissão, comparada com a média profissional, altamente qualificada. Sendo, portanto, pessoas lúcidas, com massa crítica à prova em todas as actividades que realizam, poder-se-á insinuar que os Professores "não sabem o que querem", "não estão esclarecidos", "são arrastados pela pura demagogia", "não compreendem o verdadeiro significado da avaliação docente", expressões com que altos representantes da tutela e sua claque governamentel os querem caracterizar?
Só quem não queira ver, só quem não queira considerar o alto valor da profissão docente para o país, para os nossos filhos, para a preservação do tesouro cultural, é que poderá continuar a apelidar os professores de néscios ou irresponsáveis!
Senhores do vértice estratégico deste país, desçam à base da pirâmide e tornem-se seres reais! Deixem o endeusamento, que serve, na maioria das vezes, para causar a miopia epistemológica ou servir para ocultar os próprios fracassos curriculares ou académicos!
70.000 pessoas, com mais aqueles que não puderam deslocar-se ao palco da indignação, não podem estar erradas. POR FORMAÇÃO E AUTENTICAMENTE ELES SABEM PENSAR! E talvez todo o país comece a acordar e a seguir a onda!
NOTA - Informações posteriores vieram alertar para um total de 100.000 professores que integraram a MARCHA DA INDIGNAÇÃO. Mais de 2/3 dos professores portugueses (Básico e Secundário) participaram!... Do Governo a sempiterna resposta: "os professores estão mal informados do modelo de avaliação e de gestão... bla, blá, blá..."? Será que o sistema não sabe ler os sinais da posição social?

Quinta-feira, Março 06, 2008

O Chico Paulo



É assim aquele adulto-jovem-menino grande,
sem receios, sem fantasmas, sem sonhos, sem ilusão!
Passeia-se, inocentemente, pelos quatro cantos do lugar.
A um, pede um vintém, a outro oferece uma flor…
Para todo o transeunte, ande por onde ande,
há uma súplica, uma quase pia e fervorosa oração,
pedindo uma ajuda, um olhar, qual fatia de amor:
Eh, tu, dás um euro? É para comer, não para fumar”!
E atrás desta, a outra porta vai bater…
Umas, abrem-se, francas e acolhedoras,
outras, riem-se do maluquinho, a que chamam impertinente,
algumas, falam e afagam o frágil ser,
nenhumas, todavia, são hostis ou agressoras.
Sim, sem o Chico Paulo, a terra fica vazia, muda e dolente!


De FCA, in Utopias Reais, a publicar.

Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Ôntico jogo de palavras



Diz-se que somos o que somos e o que não somos.
Assim, o não somos não é o que somos.
Se não somos e somos
e se somos e não somos,
então, não somos o que não somos
e também não somos o que somos.
De qualquer forma, não somos o somos e somos o não somos.
Pergunta-se: somos ou não somos?

Sábado, Janeiro 19, 2008

Perante discursos vazios


Somos alvos de mensagens ambíguas,
que parecem dizer tudo, mas dizem nada,
autênticas portas e paredes contíguas,
claras e opacas, numa casa blindada.

Políticos, banqueiros, bolsistas e industriais,
apregoam os seus objectivos ambiciosos…
O Zé Povo não crê e solta os seus ais
ante dúbias intenções de pseudo-poderosos.

Vendem-nos tratados, pontes e aeroportos,
com orçamento surrealista e estonteante,
intentando transformar os vivos em mortos!

E como já não vamos em promessas vãs,
nesta atmosfera de ilusão frustrante,
ficamos alheios a palavras ocas e malsãs!

Sábado, Dezembro 08, 2007

IMPROVISO




Não sei como começar. Isto já é um começo, mas sem intencionalidade manifesta. O que eu quero dizer é muito distinto deste não dito, que me incomoda, me faz retorcer o estômago, me provoca quase a fuga de mim.
O que é então o que eu quero dizer? Simplesmente que sou o que sou, limitado pelo contexto e pela indecisa vontade de afirmação ou, talvez, pela indiferença da negação.
O que vejo à minha volta? Indicadores de algo que se chama bem? Evidências de algo que não existe mas que rotulamos de mal? Não sei o que vejo, interpretando o ver como um acto não fisiológico apenas, mas como a perscrutação da onticidade. Na verdade, movo-me entre um olhar e um ver, como se afundasse a âncora naquilo que os olhos orgânicos mostram. Mas sei que não é neste olhar que a minha hesitação e tacteamento se detêm…
Sigo, par e passo, o jovem que caminha pela rua. Sem rumo, a não ser o das notas musicais, já gastas e esboroadas, do MP3. Que pensa ele do amanhã, do seu emprego, da sua realização pessoal? Mas, sobretudo, que opina ele sobre a sociedade, desde a criança ao velho? Parece-me um ser volatilizado, que olha mas não vê, preso a miudezas do quotidiano que lhe encobrem a face autêntica da vida, a dimensão profunda da realidade. Talvez se redima pelo inofensivo da sua nesciência, ainda que ninguém lhe perdoe o conformismo com a ignorância…
Noutra rua, deparo-me com o velho, já alquebrado pelas pesadas jornadas em que, frequentemente, falhou, embora com ressaibos auto-impostos de grandes sucessos. Lá vai ele, tentando enxergar com os olhos o que não consegue animicamente ver. É um passado que se sobrepõe ao presente, a anulação de uma juventude néscia pelo irremediável fado de uma decrepitude ignorante.
E a tudo isto vou presenciando da minha janela de fantasmagorias existenciais, coladas à orla de um manto de ideias digitalizadas, que não sei donde provêm, nem qual o seu destino. Mas duma coisa estou seguro, se segurança não for apenas um constructo convencional oco: de velhos e novos, de néscios e sábios, de falsos e verdadeiros, de fracassados e bem sucedidos, de…. e de…, se compõe a estrada da existência, por onde todos viajamos!

Domingo, Novembro 11, 2007

Uma significativa e impressionante metáfora da ETERNIDADE!




James Joyce descreve (com imaginação tanta, que poucos conseguem aproximar-se do seu fértil talento) o conceito de eternidade. E continua a achar que a sua metáfora é uma pálida imagem da eternidade na sua plenitude semântico-conceptual-real. Vale a pena ler.

“(…) Já vistes frequen­temente a areia na praia. Como são finos os seus minúsculos grãos! E quantos desses minúsculos grãos são precisos para formar a pe­quena mão-cheia de areia em que uma criança agarra para brincar. Agora, imaginem uma montanha dessa areia, com um milhão de milhas de altura, elevando-se da terra até aos mais altos céus, e com um milhão de milhas de largura, estendendo-se até ao espaço mais remoto, e com um milhão de milhas de espessura; e imagi­nem essa enorme massa de incontáveis partículas de areia multi­plicadas pelo número de folhas que há na floresta, de gotas de água do poderoso oceano, de penas das aves, de escamas dos peixes, de pêlos dos animais, de átomos na imensa extensão do ar: e imaginai que, ao fim de cada milhão de anos, um passarinho pousava na montanha e levava no bico um minúsculo grão dessa areia. Quan­tos milhões e milhões de séculos seriam necessários para que o pas­sarinho levasse consigo um palmo quadrado dessa montanha, quantos eões e eões de séculos até a levar toda? Todavia, no final dessa imensa extensão de tempo, nem sequer um instante da eter­nidade teria passado. No final de todos esses biliões e triliões de anos, a eternidade mal teria começado. E se essa montanha se er­guesse novamente, depois de ter sido removida e o passarinho voltasse a removê-la novamente, grão a grão, e se ela se elevasse e fos­se removida tantas vezes quantas as estrelas que há no céu, os áto­mos que há no ar, as gotas de água que há no oceano, as folhas que há nas árvores, as penas que há nas aves, as escamas dos peixes, os pêlos dos animais, no final de todas essas inumeráveis elevações e remoções dessa montanha incomensuravelmente grande, não se poderia afirmar que tivesse passado um único instante da eterni­dade; mesmo nessa altura, no final desse período, depois dessa imensidão de tempo, que, só de pensarmos nela, nos põe a cabeça a andar à roda, a eternidade mal teria começado”. pp. 130-131


JOYCE, James (1916) (2002). Retrato do Artista Quando Jovem. Lisboa: Publicações Europa-América.

Sábado, Novembro 03, 2007

Miragens de um país adiado...




No meu país, todos queremos ser felizes,
Não importa o quando, o como ou o lugar...
Viva a felicidade, viva o bem-estar, viva o prazer!
No meu país, vamos cortando com as raízes,
atiramos para longe o que nos possa incomodar,
julgamos que a prosperidade está ali, basta querer.
No meu país, implementam-se leis, baseadas no facilitismo,
daqui a pouco, os valores são à la carte, segundo a opção do freguês...
Escolhemos e rejeitamos, rejeitamos e escolhemos,
tudo em relativista decisão...
No meu país, entrou-se numa imparável onda de laxismo,
não se sabe se vale mais ser vertical ou se a falta de honradez,
cortamos os compromissos que fazemos,
talvez tenhamos perdido a razão!
No meu país, onde o trabalho é necessário
para sair da evidente pobreza colectiva,
nada há que nos contenha, trave ou afronte:
vamos consumindo o público erário,
erigimos altares à preguiça diva,
a seguir a feriados, instituímos a auto-ponte!
No meu país, há pobres, em número de dois milhões,
e os ricos são cada vez mais ricos, mais e mais...
Uns conseguem graus académicos com suor sofrido,
outros, com base no embuste e no segredo dos cifrões.
Ah meu país de miragens, de injustiças e vendavais
de corrupção, pára e dá a todos a dignidade do vivido!
Como gostava de viver num país de sonhos realizados,
onde a vida fosse o valor supremo, inquebrável,
as crianças saltassem e sorrissem aos milhares infindos,
os idosos se sentissem seguros e amados,
os jovens tivessem um lugar profissional estável!
Será que num país de adiamentos somos todos bem-vindos?

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Sob o olhar da Senhora da Serra




Nas terras deste tão próximo mas longínquo nordeste,
Onde os rios deslizam apressados por entre ciclópicos penhascos,
Há o verde dos pinheiros altivos, dos salgueiros e dos carrascos,
O castanho de um chão em prolongado pousio,
O vermelho das papoilas por infindáveis mantos,
O amarelo das flores da giesta, de indizíveis encantos,
O azul de um incomparável céu diáfano e luzidio,
O cinzento esverdeado dos olivais e da urze agreste.
E neste nordeste de aquém ou de além dos montes,
Onde as gerações, velhas e novas, vão escasseando,
Há rosas de sonho,
Pombas de paz,
Cascatas a embalar as calçadas,
Amendoeiras odoríferas,
Apetecíveis frutos de cerejeiras,
Há barragens nas rochas encastradas,
Há o mel doirado das abelhas obreiras.
Mas, no mais alto pico das terras nordestinas,
Há também uma capela lendária e querida,
Atracção irresistível das gentes,
Em diáspora ou populações residentes,
Que acorrem, devotos e confiantes, à velha ermida,
Para lá oferecerem um lírio de preces angelinas.
E dentro dessa vetusta capela mora uma Senhora,
Com feições tão meigas, sinceras e bondosas,
Que fazem lembrar o rosto das mulheres da nossa terra,
Queimadas pelo sol e pelo seeiro nascido da aurora.
E aquela Senhora, ornada de ouro e vestes tão formosas,
É a vigia dos campos, das gentes, de quem vem e de quem passa,
Com ela se enche a indescritível paisagem de graça,
E, por ela, há saudades infindas, pois é a Senhora da Serra!

De FCA (2000). Pensar Poético à Solta.
Romaria anual: 08 de Setembro

Terça-feira, Setembro 04, 2007

Por baixo daquele arco














Vê-se a soberba piscina,
quase colada com o mar,
dragão que vomita ondas incessantemente.
Por baixo daquele arco,
vêem-se pequenos, medianos
e avultados seres humanos,
cada um com o seu mundo,
seus sonhos e ilusões...
Por baixo daquele arco,
vê-se uma pensativa menina,
com o infinito no seu olhar
e insondáveis equações na sua mente!
Por baixo daquele arco,
já passaram tantos anos
e um poço tão profundo,
só legíveis por abstracções...
Por baixo daquele arco,
vê-se a solidão e a companhia,
a inveja e a amizade,
o muito pobre e o muito rico,
mas, sobretudo, as horas de alegria,
em que a vida consumir-se há-de,
assistida pelo odor a manjerico!
Por baixo daquele arco,
ficam seres inteiramente sós,
quase um solitário marco
em autoscopia de silêncio astral...
Em primeira pessoa falam a sua voz,
anelando o bem e exorcizando o mal.
Por baixo daquele arco,
constrói-se tanta, tanta ideia,
que se desfazem como o vento,
quais efémeras construções na areia,
ainda que projectadas,
e divinamente concretizadas,
por sublime pensamento!

De ChFer, Utopias Reais, a publicar




Foto: Festival internacional de escultura em areia
- Maravilhas do mundo - Pêra/Algarve - 01.09.2007

Quarta-feira, Agosto 22, 2007

Luta de touros ou dos homens?


O touro é o todo-poderoso, a hipostização do dono e dos adeptos.
Mas há dois touros em luta,
a concretização de uma disputa,
entre aldeias ou homens, cada qual com sua garra,
para quem mais vale o génio que a farra!
Quem segue atentamente as pulsões tanáticas dos entusiasmados assistentes,
reconhece que, no meio de ardente e fervorosa paixão,
a puxar pelo seu touro e ao outro lançando maldição,
se trata da transferência de uma calada tendência,
do desabafar de uma agressão,
que no touro se concretiza, qual fera sublimada dos desejos das gentes!
E, no lugar do animal, em vontade saltando para a arena da luta,
vêem-se projectados os esforços, as contrariedades da diária labuta,
daqueles humanos angustiados, que se encontram, cara a cara,
com propósitos recalcados e com adversidades remanescentes.
E, enquanto os touros se agarram,
estimulados ou baiados pela feroz multidão,
alguns homens se enxovalham de nomes e palavrões!
Talvez sejam estes seres que, na palavra exacta,
lutam pela ultrapassagem, com actos e intenções,
da sua pessoa sobre a outra, da sua vida presente sobre a sua vida transacta.
E quão perpetuado é este confronto,
tão antigo como o ser!
Também se crê eternizável,
enquanto os homens, a prazo ou a pronto,
não se conformarem com o ter!

Do livro "Entre Vertigens e Amores" (2002), FCA



Domingo, Agosto 19, 2007

DUAS DAS MARAVILHAS ESQUECIDAS



Será que o País ignora a TORRE DE MENAGEM, única, impressionante, faraónica, da cidade de Bragança? Não há, neste Portugal de maravilhas forjadas, outra Torre de Menagem que se lhe compare em altura e simetria de linhas, em perfeito estado de conservação!








E esta outra maravilha incomparável, a DOMUS MUNICIPALIS, que não tem irmãs, nem primas, em toda a Península Ibérica? O seu papel sócio-organizacional-político é deveras relevante para que todo o País a possa destacar e guindar à categoria de "7 Maravilhas"! Todavia, não apreciamos as pérolas...

Sábado, Agosto 18, 2007

Simplesmente belo! Divino!



O marco sagrado fundamental do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo!
Granítico, sólido, empolgante!



Uma convergência excepcional!

Uma avaliação credível!

Mais palavras para quê?




Quinta-feira, Agosto 09, 2007

Indesmentível!



Só visto!
Nada o pode desmentir!
Aí dormem.
Como se pode constatar...
Início da Av. Fernão de Magalhães, sentido Este-Oeste, Porto. Um negro cartão de visitas, logo às 07.30 horas, o sol a subir, em manhã fresca de Agosto, com brisa cortante!
Que dizem os responsáveis deste País assimétrico? Há justiça distributiva, quando uns ganham 25.000 € mensais (e MAIS!...) e outros têm que se "arrastar", como sapos, andrajosos, na miséria? Que imagem social, política, económica, ética, e até estética, se defende para este País? O terceiromundismo europeu?



07.08.2007, 07.30 horas!

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Em Afife...

Imenso!
ATRACTIVO! Fascinante!

Um vento leve, nem frio nem quente,
perpassa ao longo da esplanada,
repleta de carros, transeuntes e feirantes…
E aquela aragem bate-nos na cara docemente,
como quem beija a sua amada,
segredando-nos as palavras e os desejos dos amantes!
Afife é bela, pelo mar e pela montanha circundante,
pelos milheirais viçosos, testemunho da esverdeada ondulação,
que vai eclodindo em sussurro escaldante,
como se a vida remoçasse com a interminável rebentação.
Em Afife vive-se, sonha-se, projecta-se!
Aqui se guarda o tesouro do marítimo encanto!
Se há uma árvore ruim, enxerta-se,
mas a bondade da floresta cobre-nos com o seu manto…

06.07.2007
A Publicar em Utopias Reais

Terça-feira, Julho 31, 2007

PÃO PARA TODOS!!!


De que se faz o pão?
De massa?
E de que se faz a massa?
De farinha?
E de que se faz a farinha?
De grãos?
E de que se fazem os grãos?
De outros grãos?
E estes?
Será que se atinge o ponto zero?
Impossível parar! Terá que haver uma causa primeira, que não seja causada! Se esta não existir, perde-se o sentido da realidade, admitindo-se o caos, estado que, no sentido extremo do termo, não pode ser contemplado, dado que ninguém sobrevive ao mesmo.
Então, a dar-se a necessidade de uma causa primeira para a explicação do ser, como poderá ser identificada? Tem nome? Uns dizem que é Deus! Outros, que é o Absoluto; outros ainda, que é a Razão Cósmica; e ainda poderá haver alguém para quem essa causa primeira é o Ser Sem Nome!
Não é o facto do nome em si que lhe confere ou retira a existência. Simplesmente, É!!! Um ser que tem em si a razão de ser, que congrega em si, por ser único, a sua causalidade eficiente, formal, material e final.
Sim, é desse Ser AUTO-SUFICIENTE que nos vem o pão, ou seja, tudo o que este símbolo quotidiano e familiar representa: a alimentação, o posto de trabalho, o vencimento, a vida!...
Pergunta-se, pois: por que motivos não chega o pão para todos?

Sexta-feira, Julho 27, 2007

DEVESA - Terra entranhada!

Foto extraída, por composição, do Google Earth. a 27.07.2007


Só vista e sentida!

Esta terra não é para se olhar apenas! É também para ser vista com olhos de intimidade e afecto. Mas não pode deixar de ser sentida! A partir de dentro, do que mais profundo pode registar uma existência. Sobretudo, porque nela imprimimos os nossos pés ao andar, porque com ela suportámos dores, porque com ela lutámos pela felicidade das gentes novas e dos seus vindouros!

Impossível ficar indiferente a este rincão! Só quem não visse e sentisse!

EXAMES...







Exame, palavra terrífica,
por incógnito objecto,
por desconhecidos e anxiógenos temas!
Ah, como a gente fica,
quase uma choupana sem tecto,
perante a surpresa dos problemas!
Mas sem exame não há prova
que valha como testemunho de competência...
E assim é e será, não se sabe até quando...
Só se sabe que por aqui vamos caminhando,
a uma geração sucede-se outra nova
e o exame perpetua-se nesta luta pela existência!
Quantos exames se fazem ao longo da vida?
Trinta, quarenta, uma centena?
Tudo depende do nosso ritmo e percurso,
ou da facilidade ou complexidade dum curso...
Mas grande parte da força jovem fica partida
e os exames dão-nos a volta,
frequentemente criam revolta,
convertendo a serenidade em faena!
Valha-nos um grande sucesso,
que nos alivia de longas penas e maus bocados,
pois, se não fosse a vitória,
embutir-se-ia a memória
de contratempo e do avesso...
Viva o êxito, que nos faz sentir recompensados!




Do Livro "Utopias Reais", a publicar para breve.

Quarta-feira, Julho 11, 2007

Ñola




Ñola


Ñola se llama la perrita que me han regalado,
precisamente el siete del siete de dos mil e siete,
numero enigmático de la plenitud hebdomadaria y sacramental...
Ñola és una perrita de dos meses y médio, pelo aclarado,
tirando al castaño y blanco, casi un niñero juguete,
que há venido llenar un hueco de anterior perro alemán, fenomenal!
Ahora se instaló en su casita la Ñola, niñita y atractiva,
que despierta atenciones de todo el mundo al rededor...
Claro, los pequeños tienen el don de ser diablo y diva,
siempre queriendo la fatia de afecto y mirada mejor!
Ñola se llama porque há venido de España,
del suegro de mi sobrino, en día de Bautizado,
que a otros se la había prometido, de momento...
Pero las vueltas que el mundo da, en su hazaña,
no las conoce el señor del humilde poblado,
ni el dotado del más fulgurante pensamiento.
Ñola, diminutivo de Española, es preciosa
por todo lo que representa, en su percurso misterioso:
Fechas, sacramentales, família amorosa,
Paises, ciudades, y, sobretodo, un nieto muy cariñoso!

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Ai, Ñola, Ñola, o teu primeiro dono, que te trouxera de Espanha, teve a desdita de uma doença grave! Tão grave, que apenas durou, desde 07.07.2007, dois meses e 21 dias! Hoje, 30 de Setembro de 2007, por entre lágrimas e soluços, por entre lancinantes gritos e pesados silêncios, foi a sepultar o Senhor Nélson. Que em paz descanse e sentidos pêsames para toda a família!
Até a Ñola, por inexplicável telepatia, se sentiu abatida e triste!

Domingo, Junho 03, 2007

Estrela invisível






Quanto gostaria de te ver no sítio onde estás…
Apesar deste meu gosto,
nem antes, nem depois do sol-posto,
tu te mostras, semidesvelando o teu esconderijo…
Todavia, sei que estás lá,
nesse invisível espaço da noite e da madrugada!
Peço-te que não te reveles,
para que a minha ânsia continue,
o meu ser curioso procure,
o meu pensamento persiga a tua misteriosa fada!
Deixa-me sonhar com o teu encanto,
estrela invisível, que me dizes tanto!

Domingo, Abril 01, 2007

A necessitar de explicitação...

Para testar o vocabulário de Alunos do Ensino Superior organizei um texto subordinado ao tema que se segue.
Surpreendente o resultado: ninguém conseguia desvendar o "significado oculto" de palavras tão "raras". - Tão raras? Então façam um esforço!
Só com a utilização de Dicionários e Enciclopédias se chegou a saber o que verdadeiramente queria dizer o texto.
Pergunto: esoterismo a mais ou necessidade de explicitação de termos que deveriam fazer parte de uma cultura própria de quem frequenta Cursos superiores tradicionais ou Cursos integrados no Processo de Bolonha? Concluo que uma técnica de explicitação está a ser mesmo necessária a todos os níveis do nosso País!

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MULTICULTURALISMO HODIERNO?

É tão esotérico e diáfano o âmago dos povos, que nos é possível questionar a existência de uma homogeneidade, quer onto, quer filogenética dos mesmos. Em boa verdade, o multiculturalismo assenta antes na heterogeneidade atitudinal e no psicocentrismo do domínio ou região, do que na idiossincrasia constitutiva e temperamental da homologia verosimilhante daqueles.

Porquê um multiculturalismo tão psitacista e díspare? Talvez os homens reúnam, na sua egolatria insondável, o que os deuses agregam na multivariância dos seus devotos teófilos. Mas a vida polifacetada, utilitária e instrumentalófila, é exactamente o antídoto contra a letal uniformidade, balizada pela assunção do antidesertismo individual e, bem assim, contra o indizível regorgitar de nanismos sociológicos e microcefalias colectivas.

Convergência ou assimptotismo para o multiculturalismo contemporâneo? Desiderato de uma auto-imposição do sujeito epistemológico ou conscientismo subjectivo de cada um dos humanos?

Procura uma resposta, pessoal ou grupal, na recôndita cripta do teu léxico académico.
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(Divirtam-se com as palavras, mas sobretudo com o seu linguajar!)

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Janela de esperança


Aquela senhora vem todos os dias à janela...
E que vê ela?
Transeuntes apressados,
sol radiante ou nuvens de chuva,
certezas ou incertezas de um mundo climático ou humano,
o desejo de dias melhores,
confrontado com realidades piores,
a aurora ou o crepúsculo de distintos acontecimentos!
E lá no íntimo de seus pensamentos,
anseia por uma Terra de humanidade,
onde a voz da mentira, do ludíbrio e do engano,
ceda o lugar à verdade do ser,
ao respeito pelas crianças,
pela condição de mulher,
pelas canseiras da gente laboriosa...
Lá, naquela solitária janela,
desde a qual o seu olhar tudo alcança,
aquela enigmática mulher,
tão verídica como o cheiro da rosa,
não se cansa de esperar,
porque a sua janela,
entre a aurora e o luar,
é uma janela de esperança.

Quarta-feira, Dezembro 27, 2006

Matemática para 2007

A propósito de Matemática, digam-me se, no ano 2007, será possível resolver o seguinte problema:
"Temos um muro a fazer, no ano que se aproxima. Esse muro terá 7 metros de comprimento. À razão de um metro por hora, quem conseguirá fazê-lo mais depressa: sete cidadãos normais ou setecentos políticos"?

Conforme as vossas respostas, tirem as devidas consequências para o alicerce da sociedade em que vivemos!

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

Bom demais!



Ninguém dá, seja o que for, de graça!

Pelo menos, espera o reconhecimento!

Não vale mais ser reconhecido

do que dar seja a quem e o que for?

É assim que, na vida, tudo se passa

com o mais refinado e egocêntrico pensamento,

ainda que seja totalmente retorcido!

Ah, bom demais e gratuito só há o amor!

Terça-feira, Novembro 14, 2006

Entre o sim (+) e o não (-)



Vê-se. Palpável.

Indemonstrável.

De ano para ano, muda a nossa massa crítica.

Não em quantidade,

mas em qualidade!

Somos o produto da soma e do desvio,

o indizível erro inerrado da informática,

o somar e o multiplicar pela diferença,

quase uma coisa sem lógica matemática!

Isto será de gente avisada?

Lá vem sempre a pitagórica sentença:

os números dizem tudo e nada,

indicando apenas a direcção!

Somos números? Sim e não!

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

ELES TIRAM TUDO...

O (meu) GRITO


Olhando para os últimos 10 meses, ou seja, desde Janeiro a Outubro/2006, temos sido confrontados com muitas decisões políticas, basicamente apriorísticas, quando aposterioristicamente seria o correcto, que nos dão sempre o mesmo leitmotiv de um pensamento negativo: tirar, tirar, tirar (eufemisticamente, retirar).
Na verdade, eles tiram tudo ao povo português, com especial incidência nas classes média e baixa: maternidades, blocos de parto, centros de saúde, hospitais, urgências, direito de internamento, escolas, benefícios de ADSE, subsidiariedade de medicamentos, BT e BF e Companhias militares, dignidade etária de aposentação, confidencialidade de telefonemas, viabilidade de profissão no final de curso, o direito de acordo contratual, o direito de progressão nas carreiras, financiamento local adequado, a indignação pelas assimetrias, etc., etc. ... E não estão já a pensar em tirar-nos o direito de nascer e de viver com a dignidade e responsabilidade de seres humanos?
Será que também pensam em tirar-nos a alma? Creio mesmo que o povo está a ficar desalmado!
Mas tiram tudo em nome de quê e de quem?
Em nome do D. Défice? Em nome de milhões de Euros a recuperar? Será verdade que fazem bem as contas (no campo da saúde e financiamento autárquico vêem-se muitas hesitações a este respeito!)? E não alardeiam que é óbvia a retoma económica? A quem beneficia ela?
Por outro lado, será que os políticos tiram a eles próprios? Há quanto tempo não publicitam os seus próprios vencimentos (diga-se, não congelados) e as cumulativas aposentações? Como é controlado o lado negro de acumulações de cargos e vencimentos, quando sabemos que tantos jovens estão à espera de um primeiro emprego (ainda que efémero)?
A sustentabilidade das reformas sociais, a necessidade de reformas corajosas (que sarcasmo!), o receio de um puxão de orelhas pela CE face ao papão défice, justificam este inconsulto tirar tudo?
A resposta dos políticos em cena adivinha-se: NÓS É QUE SABEMOS! OS OUTROS, IGNORANTES E CONTESTATÁRIOS DAS REFORMAS EM CURSO!
Deixem-me gritar: NÃO ÀS REFORMAS SEM CONSENSO, SEM CÁLCULO RIGOROSO, SEM EXEMPLO DOS QUE OCUPAM TRONOS, SEM RESPEITO PELA DIGNIDADE DO POVO QUE TRABALHA, frequentemente em condições de pobreza e miséria!

De facto, todos podemos GRITAR, mas, por múltiplas razões, as pessoas estão a emudecer, refugiando-se na indiferença e na passividade, quem sabe, baseada no receio de fogachos oligárquicos de loucura e nacionalssocialismo, de que o horizonte crítico de alguns resistentes nos começou a fazer suspeitar.

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

FORNADA: O Pão que a mão humana amassou...

O PÃO é simultaneamente uma epopeia do esforço e uma metáfora da vida. Porém, antes de ambas, é uma REALIDADE tão concreta, que todos, desde o bébé ao velhinho, sabemos milimetricamente o caminho que o leva à boca. E que sabor inconfundível!
Até chegarmos a saboreá-lo, um percurso, misto de amor e sofrimento, tem que ser ritualmente cumprido. Actualmente, de forma mecânica, automática e até autómata. Em épocas passadas, à base do suor do rosto e braçal.
Como era e ainda, bastantes vezes, é feito tal percurso? Eis a minha versão dos passos:

I

A farinha amassada por mãos que sabem


II

A massa pronta a levedar



III

A massa a levedar



IV

Fingir a massa



V

Rojar o Forno



VI

Meter o pão ao forno





VII

A cozer



VIII

Tirar o pão


IX

A repousar e a arrefecer



Depois de todos os passos da epopeia, o quotidianamente imprescindível PÃO está pronto para ser comido.
É caso para exclamar, como diz o povo. "AH PÃO, PÃO, POR TI TUDO DÃO"!
E mais expressivo para o actual momento de carteira vazia, o povo também lembra a necessidade de repetir o ciclo: "No final da mesada, lá se vai a fornada"!

É interessante como neste ciclo se juntam tantas histórias de vida, tanta filosofia materialista e idealista, tanto romance e poesia, tanta solidariedade e solidão, tanto poderio econónmico e esclavagismo de miséria! Em qualquer caso, lá bem no fundo de nós, sentimos que não há pão que a mão humana não tenha amassado!

Quinta-feira, Julho 27, 2006

Quando ficamos sós!



Foram-se os precoces botões e as últimas flores,
bem como muitos ramos e os frutos irmãos ou parentes!
Ficamos sós no meio da esverdeada folhagem,
já sem a presença dos nossos entranhados amores,
pouco nos importando os olhares críticos ou benevolentes,
e outra coisa não resta a não ser a miragem!

Sexta-feira, Julho 21, 2006

Sincronismo dessincronizado…

Nove horas e trinta minutos,
uma hora fraccionada, nem nove, nem dez!

E pedem-nos para estar a uma meia-hora,
precisamente a tal hora não inteira, mas dividida…

Os homens, em momentos resolutos,
não andam com metade dos seus pés,

antes equacionam a integridade do aqui e do agora

para seguir em frente, cara ao vento e bem erguida,
como seres decididos e impolutos!

Assim, de meias-horas está o tempo adiado,

como se jogássemos em roleta de meias cores.

O ritmo de vida passa de sincrónico a dessincronizado

e apenas se vive de meios termos para o sonho e os amores.

Porque não adoptar horas inteiras

para início de projectos ou outras actividades?

Será que os referenciais de execução,

para qualquer tarefa ou modelo de organização,

não conseguem ter por companheiras

a rentabilidade e a convergência entre realidades?

Quem é de meias-horas é como se fosse de meia jornada:

desconta no final ou no início da meia,

quando se impõe o tempo total!

Efectivamente, aprisiona-se o tempo com peia,

qual cavalo que não corre por ter a alma desalmada!

Quarta-feira, Julho 12, 2006

Diz-se...



Diz-se que se diz que o dito é menos dito que o não dito. Por isso, se disseres, dizes menos que se não disseres!

E, para cumprimento desta observação secular, este dito disse menos que não dito, pelo que se deixa o dito por não dito, com o devido respeito pelos ditos de quem diz que o não dito é apenas a ausência do dito.

Terça-feira, Junho 06, 2006

SEM ELES, NÃO!




Concluem-se os dias das lides pedagógicas,

apesar de continuarem as actividades retroactivas...

Mas, com os estudantes, a vida é dialéctica e dinamismo!

Sem eles, entramos em circunvoluções de mental solipsismo,

as linhas do quotidiano passam a reger-se por outras lógicas

e até as flores sentem saudades daqueles deuses e daquelas divas!

São jovens esperançosos como searas ao vento,

a ondular pelas planícies da intelectualidade…

Como é belo sonhar e aprender,

sendo eles norte para o escurecer,

aquilo que é mutável a cada momento

e o que é idêntico a si mesmo como a eternidade!

Sem eles, a vida flui com mais lentidão,

o alvor das madrugadas chega mais descompassado,

o encontro com o dever é pautado por regras sem normativos!

Sem eles, não se aprende ou se ensina uma lição,

o envolvente esmorece num quefazer desalmado

e as instituições perdem élan, charme, beleza e atractivos…

Sim, voltem eles para novos e corajosos desafios,

que por eles esperamos e vivemos a toda a hora…

Nasçam projectos e perspectivas, bolonheses ou não, sem demora,

porque o caudal do futuro requer centenas e milhares de rios!

Suspendam aprendizagens de currículo, investigação e cidadania,

cedendo lugar à escola da vida, feita de impactos e vivências!

Cortem as correntes do esquematismo e da didáctica alquimia

e voem mais alto sobre o pico das personalidades e suas contingências!

O passado perde cedo as fúrias e a magia da paixão…

O futuro ganha-se com os jovens, sim! Sem eles, não!

ChFer - Utopias reais (a publicar)

Sábado, Junho 03, 2006

Viver 17 anos é longo! Morrer é um dia!















Vivi 17 anos no jardim dos meus donos! Uma história... Quantos episódios testemunhei! Muitas alegrias observei e também algumas tristezas! Tantos destinos humanos se cruzaram com a minha vida vegetal... Quase me tornei humana...
Fui grande, frondosa, alberguei passarada aos centos, silvei com as fúrias do vento...
E nas tempestades tornei-me perigosa, pois pus em risco moradias à direita e à esquerda! E como as pessoas estão primeiro, ao serviço das quais todas as árvores estamos, foi necessário pôr fim aos meus dias...















Foi assim... Quatro amigos técnicos, trataram-me com os cuidados devidos e quiseram perpetuar a minha história de vida! De facto, todo aquele que de mim se quiser lembrar pode sentar-se no cadeirão que restou do meu tronco! Apesar de tudo, não será mau servir de trono para aqueles que quiserem sentir as pulsações daquele que tantas vezes foi chamado de "O PINHEIRO GRANDE"...

Amigo(a), se estás cansado(a),
vem contar-me as tuas mágoas sobre esta
incomparável cadeira de madeira fina que restou de mim!