quinta-feira, março 19, 2015

AO PAI


Vê lá…

Vê lá se o teu pai não faz ou fez tudo o que pôde por ti!
Nem te pediu que agradecesses.
Desinteressadamente deu, de forma oculta, quase sempre na sombra, o que achou justo.

Vê lá se o teu pai não te defende ou defendeu em todas as circunstâncias!
Ali esteve, ouvindo os contras, escutando os prós, contestando o acusatório
ou congratulando-se com o elogio.

Vê lá se o teu pai não sacrifica ou sacrificou o seu tempo pelo teu bem-estar!
Quantas e quantas vezes não madrugou, não percorreu quilómetros,
para que tu chegasses ao início ou final das tuas viagens,
das tuas actividades, das tuas recreações ou tempos livres.

Vê lá se o teu pai não te dá ou deu os melhores presentes, sem minimizar ninguém!
Sabes, o maior presente que te deu, para além da prenda da vida,
foi o carinho em criança, o desvelo na adolescência, o cuidado na juventude,
e sempre com o traço inesquecível do amor.
Como filho reconhecido, DEVOLVE-LHO.
Se já não o podes fazer, por sua ausência, ENVIA-LHO!

Vê lá… Vê lá…
fca -19Mar2015

quarta-feira, janeiro 28, 2015

A VIDA NÃO ACABA!





"Ontem, 25.01.2015, eram 00:30 horas, resolveste partir para um recôndito invisível, talvez próximo, talvez distante, certamente na lonjura do infinito.
Hoje, 26.01.2015, pelas 15:30 horas, foi o teu último adeus, naquele cemitério simultaneamente temível e familiar, chão sagrado do nosso povo.
Quem para ti olhava, e foram tantas as maravilhosas gentes da querida aldeia e de outras aldeias vizinhas, notava a serenidade, a paz, a calma, face às preocupações, vaivéns, alegrias, tristezas, satisfação e dor, que esta vida te trouxe. Não eras só uma pessoa, mas uma instituição. Ali estavas solene, imperturbável, perante a saudade e o choro dos teus filhos, marido, netos, irmãos, nora, cunhados, e tantas pessoas desejosas de te olharem e verem pela derradeira vez sobre a terra sagrada do lugar de descanso.
Como sinto as tuas risadas pelo campo, o teu encanto com os amores-perfeitos dos lameiros, a tua adoração pelas rosas e papoilas vermelhas, a tua miragem com o ondular das searas, o teu sonho pelo verde dos olivais, a tua ansiedade pela saúde dos outros (mesmo esquecendo a tua), a tua ânsia de um mundo melhor para os teus filhos e para os filhos dos outros... Essa era a tua paisagem da vida, o sentido de uma felicidade apetecível e à mão, impossível de descrever em nota de uma só página...
Será que tudo ruíu, que "num só segundo, o teu (meu) mundo acabou"? Digo-te, sinceramente, que, de forma espontânea, me apetecia dizer que sim. Mas, pensando bem, tenho que dizer-te que não. Na verdade, este mundo passa, passou para ti, passou para biliões de seres humanos, passará para todos os que virão depois. Todavia, apenas passa para dar lugar a um outro estado, o mundo da felicidade, para o qual nos conduz  o caminho da ESPERANÇA. E creio, como teu irmão, como católico que sou, que nesse mundo de felicidade te encontrarás, porque, realmente, tu bem o mereces por tudo o que fizeste, sofreste, desejaste, amaste e sonhaste, ao longo de sessenta e cinco anos de travessia.
Não sei como dizer-te, mas, para mim e, creio bem, para todos os que contigo viveram e conviveram, mereces o maior ABRAÇO de SAUDADE e de MEMÓRIA que o Ser Supremo te dê de presente, algures, onde o DESCANSO, o SOSSEGO, o AFECTO, o CARINHO e o AMOR reinem absoluta e interminavelmente. Aí será o nosso REENCONTRO, queridaMarta de nome próprio, Conceição de nome familiar, Cordeiro Alves de apelido de geração. Todos os dias, enquanto eu for consciente, o meu pensamento estará contigo... Eu sei, nem é preciso demonstrá-lo, que A VIDA NÃO ACABA..."

quarta-feira, julho 17, 2013

Ao AMIGO José António Fidalgo Santamariña

Carta que já devia ter sido
De "Chisco Cordero" para "Toño"

Caro amigo Xose Antón Fidalgo Santamariña, sempre presente:

Por que só há dias soube do teu falecimento,  e por que a tua partida me chocou profundamente, mando-te esta extemporânea carta, que, se alguém a vir, ta faça chegar aonde quer que tu estejas, e que, por mim, católico, sei que será junto da Força Superior do Deus Próximo e Bondoso, pois bem mereces.
Lembro-te como eras, lá na Universidade de Salamanca, La Ponti, cheio de vida, de sonho, de olhar profundo e reflexivo, que absorvia os textos de Psicologia... Que bons tempos!
E que voos magníficos pela Bélgica, Bruxelas! Quantas saudades do último encontro que tivemos em Vila Real, já ambos nos 50 e poucos anos...
E agora? Partiste sem pedir licença, sem aviso da tormenta... E esta sobreveio implacável! Como sinto a tua partida. Na verdade, poucas vezes nos cruzámos depois de Salamanca, além de contactos via E-mail ou por notícias de amigos.
Sabes, mesmo agora, depois de ano e meio  da tua partida (18.12.2011), sinto a tua presença ausente, subliminar aos meus passos, mas já nada pode inverter o sentido. Chegou a hora do teu Adeus aos rios e às fontes queridas. Mas, não te esqueças, abre esta carta, que, junto, leva um ABRAÇO DE SAUDADE para a tua morada real, que, creio, é incomparavelmente bela e à tua medida.
"Chisco Cordero"



Cuando un amigo se va, queda un espácio vacío...


En honor de Xose Anton Fidalgo Santamariña!

domingo, maio 01, 2011

Dia da Mãe



















Talvez seja a maior referência da nossa vida.

Já desde o seu ventre, ela falava connosco e nos segredava:

- Um dia serás alguém, muito feliz, como eu espero!

Pelo menos, tivemos sempre essa mulher do nosso lado...

Afecto, segredos, sonhos, o olhar ao largo!

Dela temos a imagem da mais suave margarida

que sempre ao peito nos aquecia e aconchegava!

Para nós foi sempre a que nos cuidava com esmero,

cantando, sorrindo, chorando em horas de desagrado,

mas sempre jorrando doçura em nosso dia amargo...




sábado, março 19, 2011

A meu pai

Não sei como dizer-te, nem sei o que dizer-te...
Apenas te digo que me lembro de ti todos os dias,
enquanto me revejo ao espelho cada vez mais parecido contigo...
A lei da vida é clara: tudo passa, tristezas e alegrias,
e até o pensamento se esvai...
Mas hoje, dia do pai,
estivesse eu onde estivesse, não podia esquecer-te,
porque tu, além de pai, foste modelo, companheiro e amigo.

Um beijo, que chegue algures, onde tu estejas e ouças o sussurrar dos meus lábios...










Também eu recebi um presente! E que lindo presente, improvisado pela interioridade de dois seres que me lembram a minha idade e a possibilidade de poder acompanhá-los no seu trajecto de aspiração ao meio-dia das Primaveras e dos Verões. Como eu desejo que seja um trajecto sereno e feliz...

quinta-feira, janeiro 06, 2011

O IMPREVISTO
















Acaso o ouvi?
Alguma vez o defini?
Nunca o pensei,
jamais o sonhei...
Quando sobrevém o inesperado,
ainda que não seja pensado,
sentimos a reviravolta nas entranhas,
a garganta nodificada de nostalgia;
fogem as incomparáveis façanhas
do nosso ter,
finda-se-nos a ousada alegria,
fenece-nos o ser!
Fui, voltei,
fugi, retornei...
Para quê tudo isto?
Nunca o saberei...
Sou parte do imprevisto!

De ChFer, A aurora está a chegar, a publicar.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

FELIZ Natal para qualquer viandante...

Ainda que seja só pela MÚSICA, mas também pela Mensagem, aproveito para deixar, seja a quem for, uns momentos de paragem para ouvir! Talvez encontre o silêncio, o segredo de um "tamborileiro" a confidenciar baixinho: VALE A PENA SENTIR AMIZADE, mesmo que por um só dia, ou um só momento de pertença a algo estranho que nos invade a alma.
Sempre ambicionamos a ilusão, o sonho, o encontro com a primeira realidade que nós somos!
Espero que tu páres e te possas (RE)ENCONTRAR! Sim, pelo caminho que leva ao vale de ti próprio para chegar ao vale dos demais!

Com ou sem a voz de Rafael, ao lado da tua ambição, corre sempre atrás de um dia cada vez mais feliz, mais amigo, mais humano!

quarta-feira, setembro 22, 2010

Sentir gratidão




Se o mundo fosse de paz,
Em vez de ódio e rancores,
Nasceriam rosas de variadas cores,
Todas as crianças, alegres e felizes,
Irradiariam candura de puro lilás,
Reconhecimento, a meta de adultos e petizes.

Gostaria de um mundo assim,
Roteiro da minha ilusão…
Admiro quem luta por esse ideal,
Tratando o amor como se fosse um jardim,
Incendiando o íntimo do coração
Daqueles que propagam o mal…
Ão, ão, late, intemerato, um Pastor Alemão, lá longe…
Os vetustos sinos quebram o silêncio falante do monge!

quinta-feira, setembro 02, 2010

Submissos à força




Os bois mansos que puxam
o arado
e os boieiros que os picam um dia inteiro,
as pombas que recebem o cibaco
preparado
e o criado pacífico que segue o conselheiro,
são todos piedosamente submissos
que fazem vontades e nunca a sua,
porque temem reivindicar liberdades
e nunca reivindicam sol nem lua…
Os professores, os burocratas, os deputados,
Os operários, os pescadores, os recepcionistas,
são submissos apenas porque mandados
e nunca ripostam nas suas vidas,
pois poderes ocultos e obscurantistas,
capazes de pisar os cravos e as margaridas,
até podem torná-los doentes e marginados!

terça-feira, agosto 31, 2010

E não acaba…


Leve se me torna este sentimento de infinitude,
quando olho o mar a rebentar na praia…
Vem, volta, revém e revolta, sem cessar,
haja sol, vento, chuva ou luar!
Tal movimento causa-me essa indescritível inquietude
de tudo interrogar até que a dúvida saia,
mas essa terra de ninguém persiste,
e, apesar de uma razão que insiste,
continua em mim presa como ao chapéu a sua aba…
Sim, mar, praia, luar, razão, dúvida, são rebentar que não acaba.
ChFer - De: A aurora está a chegar - a publicar

terça-feira, julho 06, 2010

INCONFORMADOS


Há muito tempo que não vinha aqui,
mas quis o destino ou Deus que aqui voltasse.
Estou na Avenida Central, de transeuntes escassos
e gente sentada na esplanada da esquina...
Quase todos cabisbaixo, além ou ali,
recolhidos na meditante e introspectiva face,
reconsiderando e volvendo sobre lentos passos
para onde os conduziu imparável sina!
Nota-se que a vida corre em contra-maré,
como mariposa ao deus-dará, doida, sem pé
e sem ilusão...
Afinal, onde estão
os sonhos que incendiaram a ancestralidade?
Esmoreceram? Murcharam com o estio?
Gostava de um país com garra e heroicidade,
onde viver fosse tudo menos fastio...
Custa-me a crer nesta alienação e indiferença
quase total, aguardando-se que o acaso a vença...
Venham todos os desencantados,
que faremos de sul a norte,
com muita ou mesmo sem sorte,
um povo, sem peias, de inconformados!

quinta-feira, maio 27, 2010

Einstein Relativamente Fácil... E mais!


Acabei de ler um título significativo: "Einstein Relativamente Fácil", da autoria de Teodoro Gómez (Editorial Estampa, 2008).

Na verdade, assim apresentado, Einstein (1879 - 1955), com a multiplicidade e variedade das suas teorias e explicações da realidade, comprova que o universo é belo, infinita e indefinidamente misterioso para o homem, que apenas tenta explicações e teorizações sobre uma mínima parte, acessível, do Cósmos.

Mas Einstein, tentando perscrutar o último dos porquês, aponta para um fundamento incontornável: para sustentar a realidade microatómica, quântico-corpuscular, a base da electrodinâmica dos corpos, tem que se admitir uma determinante primeira, que não pode ser determinada. Não sabemos como chamá-la, mas é indubitável que essa determinante está lá. Sem ela, o universo não faz sentido. É aí que encontramos a razão de ser da religiosidade cósmica!

Verguem-se ventos e marés perante as ideias da "personalidade do Séc. XX"!

Aliás, no seu célebre artigo “Ciência e Religião” (1939-1941), Einstein deixou-nos uma imagística frase, imorredoura e, ao mesmo tempo, demonstrativa de que ele não era um ateu, mas um conscientíssimo defensor da religiosidade do homem (não uma religião de medo, nem religião ética, mas uma religião cósmica, demonstrável racionalmente). Tal frase é: a ciência sem religião é manca, a religião sem a ciência é cega.


Obrigado, Einstein, pela lucidez e pela demonstrabilidade de que os buracos negros (mesmo os aventados pela mente laicisante e ateísta) só seriam captáveis, se pudéssemos mover-nos, nas nossas estruturas perceptivas, à velocidade da luz, ou seja, a 300.000 Kms por segundo! E, ainda aí chegados, seria necessário submetê-los à análise experimental...
CABAL!

quinta-feira, abril 22, 2010

Aos meus amigos que já partiram...



Sim, quando um amigo se vai, ficamos destroçados e o vazio sobe-nos aos meandros dos interstícios cerebrais e emocionais!

Mas, se dentro de nós é quase impossível silenciar a saudade, mais forte é o afecto que lhe tributámos na memória do passado e a esperança do reencontro num incógnito futuro...

quarta-feira, março 31, 2010

Se alguma vez foste lá...



Se alguma vez foste ao local
onde viveste intensamente a alegria de ser homem,
devias cantar e rir a todos os pulmões...
Sabes que há mais vida que pantanal,
que há sempre dentro de nós um sonho de criança e de jovem,
que a beleza e a amizade rondam os nossos portões?
Se alguma vez foste dentro de ti mesmo,
talvez tenhas encontrado mais oásis que deserto!
É verdade, em nós jorram rios de água,
tão suave e apetitosa como pedaços de torresmo,
impressionante para os de longe e os de perto!
Dentro de nós, sabes, há mais júbilo que mágoa...
Se alguma vez foste lá,
à intimidade dos que procuram, sem cessar,
o âmago da sua razão de ser,
de certo terás encontrado, além e cá,
a essência do nosso destino, que é caminhar,
sempre e sempre, como menino, a crescer...


De fca, in A aurora está a chegar - a publicar

sexta-feira, janeiro 01, 2010

O outro e o eu



Quero ser outro, desalmadamente,
e não o consigo, mesmo que cerre os dentes ou corra...
Sou outro, digo-me, frequentemente,
e o outro resiste-me e grita-me que só posso ser eu!
O outro foge aos meus limites, às minhas pressões e ditames,
encurrala-me e aperta-me quase até que morra
em mim essa ideia disparatada e aberrante de ser ele...
O outro reduz-me ao nada das minhas pretensões
e lembra-me, a cada hora e em todas as ocasiões,
que eu só posso ser eu, mais ninguém, este ou aquele...
O outro adverte-me que desejar ser outro são intenções infames,
adulteradoras do bom nome e da personalidade alheia.
E eu, que quero ser outro, olhando de soslaio essa advertência,
aceito e mastigo essa verdade, nem toda nem meia,
mas, se o eu quer ser outro, é tão só para imitá-lo na sua essência!
Assim, se o outro for modelo de bem e de valor,
também o eu ficará positivamente contagiado.
De dia ou ao luar, como nas questões de amor,
um outro bom modelo implicará um eu bem modelado.
Não há eu sem o outro,
como não pode haver outro sem o eu,
admirável correlação de seres...
Sejam homens ou mulheres,
este, aquele ou aqueloutro,
seu complemento causará inveja no céu!


De ChFer, in A aurora está a chegar, a publicar

domingo, dezembro 20, 2009

FONTE DE VIDA

A bruma da tarde cai, suavemente,
no piso das calçadas e no íntimo das pessoas
de bem ou de mal, sem preterir ninguém.
As vozes daquela bruma são vozes de gente,
impreterivelmente regida por leis, más ou boas,
como é próprio de todo o humano que nasce de mãe!
Sim, nascer de mãe, que muitos não sabem o que significa,
mas a verdade é que só de mãe nasce verdadeira vida,
como autêntica flor, doação e guarida,
sustentáculo de quem vai, vem, parte ou fica...
ChFer - in A aurora está a chegar, a publicar

domingo, novembro 22, 2009

Bem-aventurados os desventurados

Ouço diariamente ricos queixarem-se da vida ingrata,
impossível,
tudo pela hora da morte...
Quem não se queixa são os desprotegidos, sem barriga farta,
indescritível,
que, apesar de tudo, se julgam com sorte...
Afinal, os da ventura vivem mal-humorados,
enquanto os da desventura,
a passar dureza e secura,
esses, sim, são de facto os bem-aventurados!
Para uns e para outros, embora vivendo diferentes realidades,
chega um derradeiro palmo de terra;
mas os primeiros, só se contentam com propriedades
e os segundos, só têm o sol e o horizonte da serra.
Ah, bem-aventurados os desventurados,
que colhem as cintilantes estrelas e o suave vento,
enquanto os infartáveis endinheirados,
como se a felicidade terminasse aqui,
ambicionam e reflectem sobre lucros e espavento,
sem jamais pensarem nos outros e só em si...
Desventurados sem roubos, eufemisticamente desvios,
sem off shores, sem tráfico de influências,
sois os mais bem-aventurados de inocência e de calma!
Os cheios de vã glória e ventura,
que apenas vivem bem no egoísmo e em desvarios,
esses, são os desventurados por essência,
que, se pudessem, àqueles roubariam a alma!
ChFer, in A aurora está a chegar, a publicar

segunda-feira, setembro 21, 2009

Mesmo entre muros, Jardim!


Vistoso, agradável, atraente,
este jardim que contemplo da minha janela.
Tem passeios, árvores frondosas,
áleas de assentos para toda a gente…
Irresistível numa tarde abafada como aquela
em que observei a sua estrutura:
canteiros semicirculares, com flores cheirosas,
quadrilátero delimitado por prédios altos, de variada cor.
Interrogo-me se este jardim é expressão de uma cultura
que tudo encurrala entre muros de betão reforçado,
ou se ele é a resposta para um grupo social marginalizado!
Ah, como esta civilização confunde casa, cimento e amor!


De: "A aurora está a chegar", a publicar

quinta-feira, julho 30, 2009

Ansiedade Vs Serenidade

Pode-se ser ansioso e ao mesmo tempo sereno!
Para tal, são precisos dois motivos conciliáveis:
o primeiro, é sentir-se agitado num local ameno;
e o segundo, é estar calmo em horas eternizáveis!


segunda-feira, julho 13, 2009

Maria Inês Vaz – O Olhar de 88 anos bem cumpridos!

Foto de 27.Junho.1999


Muitos e muitos passos tracei pela existência,
Alguns menos felizes, outros de grande satisfação…
Realegrei-me com os meus e toda a sua descendência,
Identifiquei as grandes mágoas e alegrias do coração...
A onze de Julho de dois mil e nove entreguei a minha essência!

Intentei vencer o grande combate das limitações,
Nada me fazia vacilar, nem tão pouco temer!
Êxitos e fracassos foram sempre as minhas lições…
Sincera e leal, a vossa CHEPA seguiu em frente para vencer!


Vou agora descansar do peso das minhas labutas,
Aguardando as preces do vosso terno e filial amor!
Zarpei a minha âncora para o Além, a olhar pelas vossas lutas!

terça-feira, maio 05, 2009

Perspectiva da aurora



Para mim,
para ti,
para todos os que na autenticidade lutamos,
haverá perspectiva de mudança?
Para alguns, haverá, seguramente,
ainda que seja apenas externa,
perspectiva de dinheiro branqueado,
vendas de todo o género de material lavado,
enquanto para outros, muitos mais,
a perspectiva, sã e interna,
se funda na renovação da mente,
no contágio saudável da vizinhança,
que quer verdade e justiça,
a real, sem parangonas nos jornais!
Pelos indicadores da já longa noite fria,
quiseram encurralar-nos na zona zero,
moldar-nos como às rolhas de cortiça
e projectaram roubar-nos a alegria.
Mas não, nunca espoliarão a nossa riqueza interior!
Resistimos como feixe de vimes, tu queres e eu quero!
Se pudessem, retalhar-nos-iam a alma…
Todavia, à verticalidade, à modéstia e ao amor
jamais poderão afectar-lhe a estrela d’alva,
porque seus donos têm uma outra perspectiva,
diferente da dos corruptos e gananciosos…
Ao nascer e ao por do sol, cristalino,
mantemos sempre a mesma limpidez do olhar
e orgulhamo-nos, sem ser orgulhosos,
de viver e superar os desafios e lutar
como as águias da montanha…
Sim, inscreveremos a nossa façanha
num livro branco, só lido por menino!
E começaremos já, sem bolsa, sem segurança, sem nada,
porque a verdadeira perspectiva surge da madrugada!


De ChFer, in A aurora está a chegar, a publicar

segunda-feira, abril 13, 2009

Sincronismo dessincronizado



Nove horas e trinta minutos,
uma hora fraccionada, nem nove, nem dez!
E pedem-nos para estar a uma meia-hora,
precisamente a tal hora não inteira, mas dividida…
Os homens, em momentos resolutos,
não andam com metade dos seus pés,
antes equacionam a integridade do aqui e do agora
para seguir em frente, cara ao vento e bem erguida!
Assim, de meias-horas está o tempo adiado,
como se jogássemos em roleta de meias cores.
O ritmo de vida passa de sincrónico a dessincronizado
e apenas se vive de meios termos para o sonho e os amores.
Porque não adoptar horas inteiras
para início de projectos ou outras actividades?
Será que os referenciais de execução,
para qualquer tarefa ou modelo de organização,
não conseguem ter por companheiras
a rentabilidade e a convergência entre realidades?
Quem é de meias-horas é como se fosse de meia jornada:
desconta no final ou no início da meia,
quando se impõe o tempo total!
Efectivamente, aprisiona-se o tempo com peia,
qual cavalo que não corre por ter a alma desalmada!
Tempo desbaratado? Insucesso fatal!



De FCA, in Utopias Reais, a publicar

segunda-feira, março 23, 2009

Notícias de...


Imagem picada daqui


Chegam-me as mais variadas notícias de enriquecimento e corrupção...

Nem sei como é possível que homens que se dizem seres pensantes,

sejam industriais, banqueiros ou políticos, para falar de quem está na berra,

pratiquem e permitam actos de enorme aviltamento dos pobres mais pobres,

fazendo que ignoram da história dos impérios os ensinamentos e a dura lição.

Na verdade, em época de crise, corruptos continuam a explorar os definhantes,

como se fossem os únicos a sobreviver depois duma ateada e sangrenta guerra,

em que fazem e desfazem, moem e remoem, o destino dos fracos mas nobres!

de "A aurora está a chegar" - a publicar.

sábado, janeiro 31, 2009

Verdade ou mentira?

imagem picada daqui

Estamos a assistir a um autêntico fenómeno de histeria colectiva. Os portugueses não sabem, de forma autoconsciente, em quem acreditar: se na comunicação social (TV, imprensa, blogosfera... ) ou se na posição dos políticos, com evidente protagonismo para os responsáveis máximos pelo País !

Onde está, afinal, a verdade ou a mentira? Acham que o Povo Português tem que se resignar a ser sempre um marginalizado, um escravizado, um alienado por falta de informação autêntica, séria e credível? Vamos fartos de um estado de informação nebulosa, cinzenta, morna, de semi-verdade e de semi-mentira, acalentada por aqueles que deveriam ser os últimos a sustentá-la!...

Queremos GENTE com AUTENTICIDADE, em quem possamos depositar confiança. Queremos que o País saiba onde está a verdade ou a mentira sobre os últimos escândalos económico-políticos que assolam de Norte a Sul. Porquê a indefinição?

O dia de hoje é sintomático na HISTÓRIA PORTUGUESA: 31 de Janeiro!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

POMBAS SEM FALCÕES

No meu país há centenas de falcões,
mas pombas, muitas, muitas, mais!
Não sei porquê, mas não tenho ilusões
de que os rapinantes, a pique, atacam os pombais.
E as pobres pombas, com medo, vão morrendo,
como se, perante o gigante, fossem anões...
Se, porém, pensarem que, por união, vão crescendo,
um dia, para breve, destronarão os comilões.
Tímidas pombas, a desnorte, na sua inocência,
a debicar os restos de quem manda e tem!
Venha o dia em que, resolutas, tomem consciência,
e não haverá medos, nem fugas, nem hesitações,
porque na vida dos outros não ordena ninguém,
e as pombas, em bando, têm mais valor que os papões!

De: ChFer, in "A aurora está a chegar" - a publicar

terça-feira, dezembro 02, 2008

Quem acende e apaga o morrão?


Quando li as interrogantes páginas de Sándor Márai, em As velas ardem até ao fim, procurei uma apropriação e simultânea projecção duma passagem quase teleológica:

- "Cada um gera aquilo que acontece consigo. Gera-o, invoca-o, não deixa de escapar àquilo que tem de acontecer. O homem é assim. Fá-lo, mesmo que saiba e sinta logo, desde o primeiro momento, que tudo o que faz é fatal. O homem e o seu destino seguram-se um ao outro, evocam-se e criam-se mutuamente. Não é verdade que o destino entre cego na nossa vida, não. O destino entra pela porta que nós mesmos abrimos, convidando-o a passar. Não há nenhum ser humano que seja bastante forte e inteligente para desviar com palavras ou com acções o destino fatal que advém, segundo leis irrevogáveis, da sua natureza, do seu carácter".


Se admitisse tal fatalismo, pura e simplesmente, ainda que ligado à natureza e carácter pessoais, para explicação do meu percurso de vida, creio que teria ficado estatelado na infância dos 5/6 anos. Contudo, mesmo que a força do destino pareça irrevogável, outra Força mais forte, quase sempre incógnita, impera sobre o desenrolar do fenómeno vital. E é essa Força, sim, que acende e apaga o morrão das velas, mesmo que tenham ardido até ao fim...

quinta-feira, setembro 11, 2008

Satisfação adiada…




Entrei.
Sentei-me.
Olhei ao redor.
Nunca pensei,
(e fartei-me!),
sentir amargor.
Amargor pela desolação,
pela tristeza espelhada na cara dos passeantes…
Aqui sentado, na pastelaria da avenida central,
poucas vezes li satisfação
nos gestos, no olhar dos que são ou não amantes,
ou na sua ilusão
face ao fluir sócio-económico-político da vida real!
Satisfação? Raras ou poucas vezes a vi!
Sonhada?
Adiada?
E que pensas tu de quem olhasse para ti?
De " A Aurora está a chegar" - a publicar

sábado, agosto 16, 2008

Diferentes…





Quase em atitude de observação participante,
constata-se que aqui chegaram uns quatrocentos retirandos,
alguns, de perto, outros, de longínquas paragens,
desde Norte a Sul, Açores, Angola, Moçambique, Brasil…
O que procuram eles, neste Encontro, de fascinante?
Ideias novas, à semelhança dos académicos e seus formandos?
Não! Aqui não encontram enganosas miragens,
tudo é claro, transparente, sensível, real e subtil.

Desde a aurora ao adormecer,
enchem sala de conferências, visitam e revisitam capelas,
lêem e meditam sob as árvores ou deambulando pelos carreiros;
este, reflecte sobre o Absoluto do Ser,
aquele, toma notas, decidindo pautar sua vida por elas,
e a maioria, em silêncio, levanta uma prece mais alta que os outeiros!

O que têm, afinal, estes buscadores de Deus?
Nada têm e, por isso, são livres e libertadores!
Assumem-se pobres dos pobres, totalmente desenraizados…
A nada se prendem, seja à família, imagem, estatuto e predilecções, a nada!
É admirável e espantoso como deixaram tudo, até os seus!,
porque, no fundo, não puderam abafar os amores
que, há muito tempo, trazem guardados
e que lhes permitem aceitar tudo, desde a doença à morte irmanada!

O mundo, lá fora, tem tudo, desde o trivial ao fabuloso:
diversão, ricas mansões, arranha-céus, políticos, estradas e rotundas…
Aqui não há outra coisa senão a pobreza das alegrias profundas,
que transporta a alma ao infinito de um mundo misterioso!
Lá fora, têm leituras de premiados e esotéricos autores, laicos, ateus ou agnósticos,
têm canções de variados cambiantes, DVD’s, Net, Blogs, telenovelas aos centos!
Aqui, lê-se Josué, Oseias, David e outros, como Larrañaga, de similares diagnósticos,
já que da interioridade, da inteligência emotiva, da singeleza, fizeram seus assentos.

E também há humor, imaginação criativa, inovação construtiva do divino…
Para todos têm um lugar, na simplicidade de um coração aberto;
até os que fazem do mundo o seu cais,
os vulgo ditos pecadores, geração que não acaba,
são considerados os primeiros e recebidos com carícias de menino!
E assim, no final, os de fora e os de dentro seguem o caminho certo,
pois o Ser Misericordioso, sem mais,
derrama seu perfume, luz, amor,
e todos, sem excepção, justo e pecador,
podem retribuir, clamando, carinhosamente: ABBA!

Já de partida, desta terra de Canaã,
rejuvenescidos pela solipsista e desértica aragem,
ainda se perguntam os valentes retirandos,
sem esquecer a Virgem Mamã:
- Cristo Encarnado, porquê tantos desmandos
para com os deserdados da fortuna e vítimas da guerra?
Queremos sair daqui para uma infindável viagem,
que leve fermento de PAZ ao doméstico vale e à incógnita serra!

E, a sós ou em grupos, irão saindo,
modestos, humildes, diferentes, com a inocência e veracidade de uma criança,
loucos como o Louco de Nazaré,
loucura entre a Razão e a Fé,
como se tivessem reduplicado a existência!
O que aconteceu aqui, na sua radical essência?
A experiência íntima de que entre Deus e Homem está viva a prometida Aliança!



ChFer - 07.08.2008

Gostaria…



Gostaria de viver no paraíso sonhado,
aquele que nunca alguém viu…
Gostaria de atravessar a ponte da amizade,
aquela que nenhum engenheiro projectou…
Gostaria de abraçar a gente do povoado,
aquela que nenhum político ouviu…
Gostaria de dar às crianças e idosos felicidade,
aquela que jamais alguém experimentou…
Gostaria ……………………………………,
aquele(a) …………………………………..,
duas iniciais palavras de uma expressão,
que tu completarás com sensibilidade e razão!
De ChFer, A Aurora está a chegar..., a publicar.

sábado, agosto 02, 2008

Cães vadios




Sós, percorremos as ruas do bairro ou do lugar,
esfomeados.
Levamos connosco a visceral tensão,
que nos faz vasculhar contentores de restos e sobejos,
saltar muros,
desnorteados,
perdidos no desespero de não encontrar
a mínima côdea de bolorento pão.
Que dias escuros...
E que aviltante é sentir, mas não matar desejos!
Contudo, como nós, há humanos aos centos,
sós, perseguidores da subsistência,
de beco em beco, na miragem de uma migalha,
mas ninguém olha a sua existência,
ninguém vê os seus visíveis desalentos
e para governantes, instalados, são apenas gentalha!


fca, in Zoopoética, em elaboração

quinta-feira, julho 03, 2008

Abúlicos fora de prazo





- Vou desistir. Já vi que não sei nada.
Para quê tentar? Para quê prosseguir?
Estudei, mas varreu-se-me o pensamento!

- É assim que se começa um exame,
já vencido à partida,
como se tudo na vida
fosse uma farsa, uma comédia pegada.
Quanto custou àquela mãe sorrir,
perante a notícia de que o seu rebento
baixou os braços, imberbe e infame,
face a uma prova que teria de vencer!
Hoje, as mães sorriem, mas não riem por dentro,
pois seus filhos, que se julgam do mundo o centro,
ao mínimo obstáculo só lhes dá para esmorecer.
Porquê este abstencionismo e desistência
nos jovens da nossa pós-modernidade?
Preparam-se? Flutuam pela existência?
Ou simplesmente perderam a vontade?
A resposta não é só deles, ainda que custe dizê-lo,
mas os adultos deverão assumir grande parte dessa abulia,
porque apenas aplanaram o caminho
ao seu néné e incomparável filhinho,
mas nunca o obrigaram a por si abri-lo e percorrê-lo.
E agora? Um mundo de dependentes, de moles e alquimia!
Só esperamos que a marcha se inverta cento e oitenta graus,
para bem de todos, dos futuros ou dos presentes,
e que surjam homens a sério como nossos dirigentes,
para tentar suprimir o abominável fosso entre bons e maus!
Jovens, se quiserdes que a sociedade se modifique,
Trabalhai com garra, suai, progredi e vencei!
Hoje, já não há alguém que queira e se identifique
Com o deixa andar, não te rales, não quero ou não sei!
fca, Do Livro - A Aurora está chegar - a publicar

quarta-feira, junho 18, 2008

Margem do sensível



Morre-se no Afeganistão. Mas ninguém liga. Morre-se, já está.
Morre-se no Iraque. Já não impressiona! Foram-se mais umas vidas…
Morre-se no Darfur. Que importa? Mais uns tantos, menos uns quantos…
Morre-se na estrada. Bum! Igual ao costume, tinham a hora marcada.
Morre-se à entrada e à saída da discoteca. Um marginal, já se esperava!
Que mundo é este que já não se impressiona com a morte?
O locutor televisivo apresenta a notícia mecanicamente,
o ouvinte já nem faz balanço aos números, julga-se com sorte,
os políticos remendam discursos, prometendo prevenções incumpridas,
os académicos refugiam-se em explicações metafísicas desabridas,
os cidadãos confessam-se atingidos só quando a fatalidade bate à porta.
Perdeu-se a sensibilidade? A vida é para desprezar?
Há um filho que fica sem pais,
um velhinho que perde os únicos entes protectores,
o marido que perde a mulher e a mulher que perde o marido,
crianças que ficam sem o apoio dos progenitores!
Estes dramas não chamam a atenção de qualquer um?
A sociedade não pode perder ou esquivar-se à sensibilidade,
todos temos uma quota parte de responsabilidade
pelo que sucede no planeta de lés-a-lés…
Respeitemos a dor, a tristeza, a solidão dos enlutados,
que perderam o afecto deste ou daquele ente querido,
restando-lhes a existência ao invés!
Repensemos a guerra, que a nada conduz,
estejamos com os que sobrevivem à tragédia!
Evitemos o amorfismo dos que se sentem acomodados,
pois somos todos seres enobrecidos,
quando pegamos aos ombros aquela cruz,
tantas vezes de braços retorcidos,
mas que grita e ecoa que a vida não é comédia
e que há uma margem do sensível para tantos rumos cortados!

terça-feira, maio 13, 2008

Não à utopia negativa

Rosa Meditativa (S. Dali)




O dia-a-dia de um país, que devia ser alegre, sadio e risonho,
começou a degenerar para a tristeza e decepção imparáveis!
Basta olhar à nossa volta e ver-se-á uma infinidade de miseráveis,
que nada têm e pedem nas esquinas das ruas um pedaço de sonho.

Segurança, emprego, apetência cultural, tudo caminha em declive
num país que podia ser modelo de progresso, juventude e paz!
À deriva anda e vai a vontade das gentes, e por elas nada se faz…
Ficamos no deixa andar, aguentar é preciso, não terei se nunca tive.

Os dias vão decorrendo entre marasmo, ludíbrio e narcose política,
o regresso ao fatalismo sombrio do donsebastianismo é visível,
a anestesia futebolística e o megaprojectismo são a dança fatídica.

Já nem imaginar se consegue a grandeza da frustração colectiva
de um povo que acalentou esperança, riqueza e anseio indizível,
e dificilmente se vislumbram forças vivas contra a utopia negativa!
De ChFer, Livro Utopias Reais, pronto a publicar.

quinta-feira, maio 01, 2008

À mãe de qualquer sítio e tempo...





Ando demasiado apegado ao trivial e sem sentido,
quase como se fosse a mariposa junto à fogueira,
em jogo de queimar asas, voos de brincadeira,
esquecendo realidades de sublime significado,
entre elas o valor de um ser que se chama mãe...
De tanto viver com ela, fiquei especado e contido
na soleira da minha morada de alienação e comodismo,
desarreiguei meu olhar dessa incomparável progenitora!
Andei e desandei por caminhos de dor e desdém,
quando ela me esperava, cheia de esperança e saudosismo,
espraiando seus olhos pelo crepúsculo e aurora redentora.
Mas, com tantos anseios guardados,
chamou-me pelo meu nome de menino,
sorriu para os ventos e bonança,
que me levaram a notícia da sua ansiedade,
e segredou-me, já os dois abraçados,
que se lembrava dos meus beijos de criança,
que me queria com amor divino,
que igual à sua não há outra amizade.
Vergado pelo testemunho dessa deusa incomparável,
não sei dizer outra coisa que não seja,
à luz de qualquer olhar que veja,
soletrar: MÃE, ÉS ÍMAN, ÂNCORA INABALÁVEL!

sábado, abril 05, 2008

Há sempre um rumo



Não dizemos que os optimismos são infindáveis,
como também não sustentamos pessimismos incontinentes…
Há vontades, ditas e reditas, manifestas e incontáveis
de crescer, subir, voar, face às dificuldades, das gentes
que sempre ambicionam o melhor dos mundos, a positiva utopia!
Não esquecemos, por outro lado, que a um vazio se sucede outro mais,
às lamentações se adicionam suspiros, lágrimas e muitos ais,
demonstrativos de que os sonhos podem acabar em pesadelos
e que os montes da tristeza ocultam os distantes picos da alegria!
Seja como for, e apesar do nevoeiro denso e do pesado fumo,
erguem-se, por fim, os raios de sol sobre nossas metas e anelos,
e fortes, mui determinados ficamos, porque há sempre um rumo!
De ChFer, Livro Utopias Reais, em preparação para publicação.

segunda-feira, março 17, 2008

Ao Pai, em dia de Março, 19.

















Dia do Pai.
Oxalá mais que um slogan publicitário.
Talvez o rever de um sonho,
uma casa que se deixou,
uma janela semi-aberta,
a lua feita sol,
o mourejar de uma labuta,
a mão calejada que semeou
campinas de trigo,
o herói tantas vezes vencido,
mas força da nossa luta.
Ao Pai, seja qual for o seu nome,
deixo uma lembrança,
uma evocação dos tempos de menino:
recordo-te como se estivesses aqui,
bem junto dos meus anseios,
deixaste-me a grande herança
da tua visão de verdade,

da resistência com lealdade,
da inocência de ser pequenino,
do defender a palavra de honra,
do soletrar desejos de chegar ali...

sábado, março 08, 2008

Será que 70.000 pessoas, ou mais, não sabem pensar?

É essencial recordar que o consenso generalizado do pensar humano, em regra, não erra, ainda que casos históricos, antes de natureza científica do que sócio-jurídica, tenham levado a posições erróneas colectivas. No caso dos PROFESSORES, porém, não encontramos a tendência para a sugestão alheia ou auto-sugestão face ao erro, pois constituem uma profissão, comparada com a média profissional, altamente qualificada. Sendo, portanto, pessoas lúcidas, com massa crítica à prova em todas as actividades que realizam, poder-se-á insinuar que os Professores "não sabem o que querem", "não estão esclarecidos", "são arrastados pela pura demagogia", "não compreendem o verdadeiro significado da avaliação docente", expressões com que altos representantes da tutela e sua claque governamentel os querem caracterizar?
Só quem não queira ver, só quem não queira considerar o alto valor da profissão docente para o país, para os nossos filhos, para a preservação do tesouro cultural, é que poderá continuar a apelidar os professores de néscios ou irresponsáveis!
Senhores do vértice estratégico deste país, desçam à base da pirâmide e tornem-se seres reais! Deixem o endeusamento, que serve, na maioria das vezes, para causar a miopia epistemológica ou servir para ocultar os próprios fracassos curriculares ou académicos!
70.000 pessoas, com mais aqueles que não puderam deslocar-se ao palco da indignação, não podem estar erradas. POR FORMAÇÃO E AUTENTICAMENTE ELES SABEM PENSAR! E talvez todo o país comece a acordar e a seguir a onda!
NOTA - Informações posteriores vieram alertar para um total de 100.000 professores que integraram a MARCHA DA INDIGNAÇÃO. Mais de 2/3 dos professores portugueses (Básico e Secundário) participaram!... Do Governo a sempiterna resposta: "os professores estão mal informados do modelo de avaliação e de gestão... bla, blá, blá..."? Será que o sistema não sabe ler os sinais da posição social?

quinta-feira, março 06, 2008

O Chico Paulo



É assim aquele adulto-jovem-menino grande,
sem receios, sem fantasmas, sem sonhos, sem ilusão!
Passeia-se, inocentemente, pelos quatro cantos do lugar.
A um, pede um vintém, a outro oferece uma flor…
Para todo o transeunte, ande por onde ande,
há uma súplica, uma quase pia e fervorosa oração,
pedindo uma ajuda, um olhar, qual fatia de amor:
Eh, tu, dás um euro? É para comer, não para fumar”!
E atrás desta, a outra porta vai bater…
Umas, abrem-se, francas e acolhedoras,
outras, riem-se do maluquinho, a que chamam impertinente,
algumas, falam e afagam o frágil ser,
nenhumas, todavia, são hostis ou agressoras.
Sim, sem o Chico Paulo, a terra fica vazia, muda e dolente!


De FCA, in Utopias Reais, a publicar.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Ôntico jogo de palavras



Diz-se que somos o que somos e o que não somos.
Assim, o não somos não é o que somos.
Se não somos e somos
e se somos e não somos,
então, não somos o que não somos
e também não somos o que somos.
De qualquer forma, não somos o somos e somos o não somos.
Pergunta-se: somos ou não somos?

sábado, janeiro 19, 2008

Perante discursos vazios


Somos alvos de mensagens ambíguas,
que parecem dizer tudo, mas dizem nada,
autênticas portas e paredes contíguas,
claras e opacas, numa casa blindada.

Políticos, banqueiros, bolsistas e industriais,
apregoam os seus objectivos ambiciosos…
O Zé Povo não crê e solta os seus ais
ante dúbias intenções de pseudo-poderosos.

Vendem-nos tratados, pontes e aeroportos,
com orçamento surrealista e estonteante,
intentando transformar os vivos em mortos!

E como já não vamos em promessas vãs,
nesta atmosfera de ilusão frustrante,
ficamos alheios a palavras ocas e malsãs!

sábado, dezembro 08, 2007

IMPROVISO




Não sei como começar. Isto já é um começo, mas sem intencionalidade manifesta. O que eu quero dizer é muito distinto deste não dito, que me incomoda, me faz retorcer o estômago, me provoca quase a fuga de mim.
O que é então o que eu quero dizer? Simplesmente que sou o que sou, limitado pelo contexto e pela indecisa vontade de afirmação ou, talvez, pela indiferença da negação.
O que vejo à minha volta? Indicadores de algo que se chama bem? Evidências de algo que não existe mas que rotulamos de mal? Não sei o que vejo, interpretando o ver como um acto não fisiológico apenas, mas como a perscrutação da onticidade. Na verdade, movo-me entre um olhar e um ver, como se afundasse a âncora naquilo que os olhos orgânicos mostram. Mas sei que não é neste olhar que a minha hesitação e tacteamento se detêm…
Sigo, par e passo, o jovem que caminha pela rua. Sem rumo, a não ser o das notas musicais, já gastas e esboroadas, do MP3. Que pensa ele do amanhã, do seu emprego, da sua realização pessoal? Mas, sobretudo, que opina ele sobre a sociedade, desde a criança ao velho? Parece-me um ser volatilizado, que olha mas não vê, preso a miudezas do quotidiano que lhe encobrem a face autêntica da vida, a dimensão profunda da realidade. Talvez se redima pelo inofensivo da sua nesciência, ainda que ninguém lhe perdoe o conformismo com a ignorância…
Noutra rua, deparo-me com o velho, já alquebrado pelas pesadas jornadas em que, frequentemente, falhou, embora com ressaibos auto-impostos de grandes sucessos. Lá vai ele, tentando enxergar com os olhos o que não consegue animicamente ver. É um passado que se sobrepõe ao presente, a anulação de uma juventude néscia pelo irremediável fado de uma decrepitude ignorante.
E a tudo isto vou presenciando da minha janela de fantasmagorias existenciais, coladas à orla de um manto de ideias digitalizadas, que não sei donde provêm, nem qual o seu destino. Mas duma coisa estou seguro, se segurança não for apenas um constructo convencional oco: de velhos e novos, de néscios e sábios, de falsos e verdadeiros, de fracassados e bem sucedidos, de…. e de…, se compõe a estrada da existência, por onde todos viajamos!

domingo, novembro 11, 2007

Uma significativa e impressionante metáfora da ETERNIDADE!




James Joyce descreve (com imaginação tanta, que poucos conseguem aproximar-se do seu fértil talento) o conceito de eternidade. E continua a achar que a sua metáfora é uma pálida imagem da eternidade na sua plenitude semântico-conceptual-real. Vale a pena ler.

“(…) Já vistes frequen­temente a areia na praia. Como são finos os seus minúsculos grãos! E quantos desses minúsculos grãos são precisos para formar a pe­quena mão-cheia de areia em que uma criança agarra para brincar. Agora, imaginem uma montanha dessa areia, com um milhão de milhas de altura, elevando-se da terra até aos mais altos céus, e com um milhão de milhas de largura, estendendo-se até ao espaço mais remoto, e com um milhão de milhas de espessura; e imagi­nem essa enorme massa de incontáveis partículas de areia multi­plicadas pelo número de folhas que há na floresta, de gotas de água do poderoso oceano, de penas das aves, de escamas dos peixes, de pêlos dos animais, de átomos na imensa extensão do ar: e imaginai que, ao fim de cada milhão de anos, um passarinho pousava na montanha e levava no bico um minúsculo grão dessa areia. Quan­tos milhões e milhões de séculos seriam necessários para que o pas­sarinho levasse consigo um palmo quadrado dessa montanha, quantos eões e eões de séculos até a levar toda? Todavia, no final dessa imensa extensão de tempo, nem sequer um instante da eter­nidade teria passado. No final de todos esses biliões e triliões de anos, a eternidade mal teria começado. E se essa montanha se er­guesse novamente, depois de ter sido removida e o passarinho voltasse a removê-la novamente, grão a grão, e se ela se elevasse e fos­se removida tantas vezes quantas as estrelas que há no céu, os áto­mos que há no ar, as gotas de água que há no oceano, as folhas que há nas árvores, as penas que há nas aves, as escamas dos peixes, os pêlos dos animais, no final de todas essas inumeráveis elevações e remoções dessa montanha incomensuravelmente grande, não se poderia afirmar que tivesse passado um único instante da eterni­dade; mesmo nessa altura, no final desse período, depois dessa imensidão de tempo, que, só de pensarmos nela, nos põe a cabeça a andar à roda, a eternidade mal teria começado”. pp. 130-131


JOYCE, James (1916) (2002). Retrato do Artista Quando Jovem. Lisboa: Publicações Europa-América.

sábado, novembro 03, 2007

Miragens de um país adiado...




No meu país, todos queremos ser felizes,
Não importa o quando, o como ou o lugar...
Viva a felicidade, viva o bem-estar, viva o prazer!
No meu país, vamos cortando com as raízes,
atiramos para longe o que nos possa incomodar,
julgamos que a prosperidade está ali, basta querer.
No meu país, implementam-se leis, baseadas no facilitismo,
daqui a pouco, os valores são à la carte, segundo a opção do freguês...
Escolhemos e rejeitamos, rejeitamos e escolhemos,
tudo em relativista decisão...
No meu país, entrou-se numa imparável onda de laxismo,
não se sabe se vale mais ser vertical ou se a falta de honradez,
cortamos os compromissos que fazemos,
talvez tenhamos perdido a razão!
No meu país, onde o trabalho é necessário
para sair da evidente pobreza colectiva,
nada há que nos contenha, trave ou afronte:
vamos consumindo o público erário,
erigimos altares à preguiça diva,
a seguir a feriados, instituímos a auto-ponte!
No meu país, há pobres, em número de dois milhões,
e os ricos são cada vez mais ricos, mais e mais...
Uns conseguem graus académicos com suor sofrido,
outros, com base no embuste e no segredo dos cifrões.
Ah meu país de miragens, de injustiças e vendavais
de corrupção, pára e dá a todos a dignidade do vivido!
Como gostava de viver num país de sonhos realizados,
onde a vida fosse o valor supremo, inquebrável,
as crianças saltassem e sorrissem aos milhares infindos,
os idosos se sentissem seguros e amados,
os jovens tivessem um lugar profissional estável!
Será que num país de adiamentos somos todos bem-vindos?

segunda-feira, setembro 10, 2007

Sob o olhar da Senhora da Serra




Nas terras deste tão próximo mas longínquo nordeste,
Onde os rios deslizam apressados por entre ciclópicos penhascos,
Há o verde dos pinheiros altivos, dos salgueiros e dos carrascos,
O castanho de um chão em prolongado pousio,
O vermelho das papoilas por infindáveis mantos,
O amarelo das flores da giesta, de indizíveis encantos,
O azul de um incomparável céu diáfano e luzidio,
O cinzento esverdeado dos olivais e da urze agreste.
E neste nordeste de aquém ou de além dos montes,
Onde as gerações, velhas e novas, vão escasseando,
Há rosas de sonho,
Pombas de paz,
Cascatas a embalar as calçadas,
Amendoeiras odoríferas,
Apetecíveis frutos de cerejeiras,
Há barragens nas rochas encastradas,
Há o mel doirado das abelhas obreiras.
Mas, no mais alto pico das terras nordestinas,
Há também uma capela lendária e querida,
Atracção irresistível das gentes,
Em diáspora ou populações residentes,
Que acorrem, devotos e confiantes, à velha ermida,
Para lá oferecerem um lírio de preces angelinas.
E dentro dessa vetusta capela mora uma Senhora,
Com feições tão meigas, sinceras e bondosas,
Que fazem lembrar o rosto das mulheres da nossa terra,
Queimadas pelo sol e pelo seeiro nascido da aurora.
E aquela Senhora, ornada de ouro e vestes tão formosas,
É a vigia dos campos, das gentes, de quem vem e de quem passa,
Com ela se enche a indescritível paisagem de graça,
E, por ela, há saudades infindas, pois é a Senhora da Serra!

De FCA (2000). Pensar Poético à Solta.
Romaria anual: 08 de Setembro

terça-feira, setembro 04, 2007

Por baixo daquele arco














Vê-se a soberba piscina,
quase colada com o mar,
dragão que vomita ondas incessantemente.
Por baixo daquele arco,
vêem-se pequenos, medianos
e avultados seres humanos,
cada um com o seu mundo,
seus sonhos e ilusões...
Por baixo daquele arco,
vê-se uma pensativa menina,
com o infinito no seu olhar
e insondáveis equações na sua mente!
Por baixo daquele arco,
já passaram tantos anos
e um poço tão profundo,
só legíveis por abstracções...
Por baixo daquele arco,
vê-se a solidão e a companhia,
a inveja e a amizade,
o muito pobre e o muito rico,
mas, sobretudo, as horas de alegria,
em que a vida consumir-se há-de,
assistida pelo odor a manjerico!
Por baixo daquele arco,
ficam seres inteiramente sós,
quase um solitário marco
em autoscopia de silêncio astral...
Em primeira pessoa falam a sua voz,
anelando o bem e exorcizando o mal.
Por baixo daquele arco,
constrói-se tanta, tanta ideia,
que se desfazem como o vento,
quais efémeras construções na areia,
ainda que projectadas,
e divinamente concretizadas,
por sublime pensamento!

De ChFer, Utopias Reais, a publicar




Foto: Festival internacional de escultura em areia
- Maravilhas do mundo - Pêra/Algarve - 01.09.2007

quarta-feira, agosto 22, 2007

Luta de touros ou dos homens?


O touro é o todo-poderoso, a hipostização do dono e dos adeptos.
Mas há dois touros em luta,
a concretização de uma disputa,
entre aldeias ou homens, cada qual com sua garra,
para quem mais vale o génio que a farra!
Quem segue atentamente as pulsões tanáticas dos entusiasmados assistentes,
reconhece que, no meio de ardente e fervorosa paixão,
a puxar pelo seu touro e ao outro lançando maldição,
se trata da transferência de uma calada tendência,
do desabafar de uma agressão,
que no touro se concretiza, qual fera sublimada dos desejos das gentes!
E, no lugar do animal, em vontade saltando para a arena da luta,
vêem-se projectados os esforços, as contrariedades da diária labuta,
daqueles humanos angustiados, que se encontram, cara a cara,
com propósitos recalcados e com adversidades remanescentes.
E, enquanto os touros se agarram,
estimulados ou baiados pela feroz multidão,
alguns homens se enxovalham de nomes e palavrões!
Talvez sejam estes seres que, na palavra exacta,
lutam pela ultrapassagem, com actos e intenções,
da sua pessoa sobre a outra, da sua vida presente sobre a sua vida transacta.
E quão perpetuado é este confronto,
tão antigo como o ser!
Também se crê eternizável,
enquanto os homens, a prazo ou a pronto,
não se conformarem com o ter!

Do livro "Entre Vertigens e Amores" (2002), FCA



domingo, agosto 19, 2007

DUAS DAS MARAVILHAS ESQUECIDAS



Será que o País ignora a TORRE DE MENAGEM, única, impressionante, faraónica, da cidade de Bragança? Não há, neste Portugal de maravilhas forjadas, outra Torre de Menagem que se lhe compare em altura e simetria de linhas, em perfeito estado de conservação!








E esta outra maravilha incomparável, a DOMUS MUNICIPALIS, que não tem irmãs, nem primas, em toda a Península Ibérica? O seu papel sócio-organizacional-político é deveras relevante para que todo o País a possa destacar e guindar à categoria de "7 Maravilhas"! Todavia, não apreciamos as pérolas...

sábado, agosto 18, 2007

Simplesmente belo! Divino!



O marco sagrado fundamental do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo!
Granítico, sólido, empolgante!



Uma convergência excepcional!

Uma avaliação credível!

Mais palavras para quê?